
O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região decidiu que a Volkswagen do Brasil deve pagar uma quantia bem salgada: R$ 165 milhões. O problema? Condições de trabalho que se assemelham à escravidão em uma fazenda da montadora no Pará, mais especificamente na Fazenda Vale do Rio Cristalino, entre 1974 e 1986. E sim, a VW já está planejando recorrer dessa decisão.
A sentença, que veio da Vara do Trabalho de Redenção, não ficou só na indenização. O juiz também mandou a montadora se desculpar publicamente, com direito a declarações em jornais e na TV nacional. O responsável por essa decisão foi o juiz Otávio Bruno da Silva Ferreira.
A história não é recente. O Ministério Público do Trabalho (MPT) denunciou a Volkswagen depois de anos de investigações sobre práticas como aliciamento e jornadas exaustivas. Essa decisão batiza a maior indenização por trabalho escravo na história recente do Brasil. É impressionante pensar que isso aconteceu aqui, do nosso lado.
Para a Volkswagen, a explicação era de que esses eventos teriam ocorrido há quase 50 anos, e que já existia um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) de 2020 que resolveria o problema. Mas a Justiça não comprou essa ideia. O juiz foi firme, afirmando que a falta de responsabilização naquela época não impede intervenções em casos de violações graves de direitos humanos.
Além da indenização, o tribunal também impôs à Volkswagen a criação de programas de treinamento sobre trabalho escravo, a implementação de canais de denúncia e a inclusão de cláusulas anti-escravidão nos contratos. Isso tudo deve ajudar a evitar que situações como essa aconteçam novamente — uma esperança a mais para a ética no mercado.
O MPT destacou que muitos dos trabalhadores eram recrutados em cidades distantes e viviam em condições desumanas, vigiados por pessoas armadas. Um cenário para lá de tenso, onde até mil peões estavam envolvidos em atividades de desmatamento na fazenda.
Por outro lado, a Volkswagen reafirmou que vai lutar contra a decisão nas instâncias superiores. Eles insistem que não tinham relação direta com os trabalhadores da época e prometem um compromisso de responsabilidade social e respeito às leis trabalhistas.
A história é dura, mas é preciso olhar para ela com atenção. Afinal, quem ama carros e as marcas que nos fazem sonhar também deve dar espaço para reflexões sobre o que acontece por trás da indústria automotiva.