
Agosto Lilás: Um Mês de Mobilização contra a Violência de Gênero
Agosto Lilás é mais do que uma simples campanha. É um momento essencial para reforçar a luta contra a violência de gênero, que atinge a vida de muitas mulheres todos os dias no país. A violência machista se manifesta de várias formas e continua sendo um assunto urgente e necessário.
Em 2025, o país celebrará 19 anos da Lei Maria da Penha, uma legislação reconhecida mundialmente por sua eficácia na proteção das mulheres. Contudo, os números revelam uma realidade alarmante: no Brasil, quatro mulheres são assassinadas diariamente, e mais de 70 mil casos de estupro foram registrados em 2024. O feminicídio, em particular, afeta desproporcionalmente mulheres negras e aquelas que vivem em áreas periféricas.
Esses dados vão além de estatísticas; eles representam vidas perdidas, famílias destruídas e sonhos interrompidos. Por isso, é fundamental que a luta contra o feminicídio e a violência de gênero seja vista como uma prioridade nacional. A urgência desse compromisso foi destacada em um encontro recente de líderes políticos, que enfatizaram a necessidade de colocar a vida das mulheres no centro da agenda do governo e da sociedade.
Nos últimos anos, a administração do presidente Lula tem reativado políticas essenciais que haviam sido descontinuadas. Entre essas ações estão o reforço do Ligue 180, a ampliação de casas de acolhimento, a regulamentação da lei "Não é Não" e a Operação Shamar, que busca fortalecer o combate à violência contra as mulheres em parceria com estados e municípios. Apesar dessas iniciativas, ainda há um longo caminho pela frente. É fundamental que o governo garanta recursos adequados e promova uma integração nas políticas públicas, além de envolver a sociedade civil e os movimentos de mulheres neste enfrentamento.
A defesa pela emancipação das mulheres e a construção de uma sociedade livre da violência patriarcal é uma missão histórica que deve ser encarada por todas as esferas de governo e pelos parlamentos. Isso implica em assegurar que cada município, cada estado e cada entidade legislativa se comprometam com o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. Também é necessário que o orçamento público reflita essa prioridade e que enfrentemos a violência política de gênero, que busca silenciar as vozes femininas em posições de poder.
Agosto Lilás não deve ser uma campanha de apenas um mês. Essa mobilização precisa ser constante, envolvendo ações permanentes e programas de educação que ajudem a desconstruir a normalização da violência e a valorizar as vidas das mulheres.
Essa luta é coletiva e deve ser um esforço contínuo. Cada feminicídio representa uma lacuna em nossa democracia. Apenas com coragem e compromisso na esfera política será possível curar as feridas históricas que ainda marcam a sociedade.