Khamenei alerta sobre consequências para os EUA diante de sanções ao Irã

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, fez novas ameaças contra os Estados Unidos e Israel, enfatizando que sua nação está disposta a encarar a força dos dois países. Em pronunciamentos veiculados na televisão estatal, Khamenei afirmou que o ataque ao base aérea de Al Udeid, no Qatar, no mês passado, é apenas o início do que o Irã pode fazer em resposta a ações de Washington e seus aliados.

Khamenei alertou que uma retaliação ainda mais forte poderia ser direcionada aos Estados Unidos e outras nações, aumentando as tensões na região. Seus comentários ocorrem em um momento em que diversas nações estão pressionando para retomar negociações nucleares, enquanto consideram a possibilidade de sanções.

De acordo com a análise realizada pelos Estados Unidos, o programa nuclear do Irã foi atrasado em até dois anos devido a ataques a instalações nucleares, como o da Fordow, e a uma série de ofensivas israelenses contra setores nucleares e militares iranianos. Entretanto, especialistas em segurança afirmam que a maior parte das capacidades de mísseis iranianos ainda permanece intacta.

Não se sabe exatamente o quanto as capacidades de mísseis e drones do Irã foram reduzidas após os ataques israelenses, mas muitos especialistas alertam que esses programas ainda representam uma ameaça significativa. Israel estima que, mesmo após as ofensivas, o Irã ainda deve ter cerca de 1.500 mísseis balísticos de médio alcance e 50% de suas capacidades de lançamento.

Isto é especialmente relevante, já que, segundo um especialista do Fundo para a Defesa das Democracias, os mísseis balísticos de curto alcance do Irã têm alta precisão, o que aumenta a probabilidade de ataques a bases militares dos EUA na região em um possível conflito futuro entre Irã, Israel e Estados Unidos.

As ameaças de Khamenei coincidem com advertências similares de outros altos funcionários iranianos. Enquanto isso, países ocidentais estão considerando a implementação de sanções se não houver progresso nas negociações nucleares até o final do verão. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que está disposto a continuar as conversas para evitar mais ações militares, porém, mencionou que não há pressa para alcançar um acordo, mesmo diante do prazo iminente para um fechamento.

Especialistas de segurança ressaltam que a aplicação de sanções poderia levar o Irã a se afastar do Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual se comprometem aproximadamente 190 países. Em meio a este cenário, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha enfatizou a necessidade de encontrar uma solução diplomática sustentável que atenda aos interesses de segurança da comunidade internacional.

O ministério também observou que continuará coordenando com os outros países europeus que assinaram o acordo nuclear de 2015, entre eles França, Alemanha e Reino Unido, em busca de uma solução viável antes que a opção de sanções seja considerada.