
Investigação sobre fraudes na previdência do Rio de Janeiro avança com tentativa de CPI
Em uma operação da Polícia Federal em Balneário Camboriú, malas cheias de dinheiro foram jogadas pela janela de um apartamento, revelando a gravidade de um esquema financeiro que tem gerado preocupações em todo o estado do Rio de Janeiro. O deputado estadual Flávio Serafini, do PSOL, está mobilizando apoio na Assembleia Legislativa (Alerj) para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a aplicação irregular de quase R$ 1 bilhão pela Rioprevidência em títulos fraudulentos do Banco Master.
Flávio Serafini destacou que os acontecimentos mostram um claro comportamento corrupto. Ele afirmou que não se tratou de um simples erro de gestão, mas sim de uma decisão deliberada de investir em um banco envolvido em um dos maiores escândalos financeiros da história recente do país.
O fundo de previdência dos servidores estaduais do Rio de Janeiro não foi o único a investir altos valores nos papéis do Banco Master. A Cedae, responsável pelos serviços de água e esgoto no estado, também aplicou centenas de milhões de reais neste banco. A situação é alarmante para os aposentados, que agora enfrentam empréstimos consignados com juros abusivos, que chegam a 5,5% ao mês, o dobro do limite permitido pelo INSS.
Para Serafini, a responsabilidade por essa situação foi, em parte, do governador Cláudio Castro, que implementou um decreto tornando o Banco Master parte do programa de crédito. Esse fato facilitou a concessão de empréstimos com taxas altíssimas aos aposentados. A mudança na direção da Rioprevidência, segundo Serafini, também foi uma manobra do governador, que possibilitou essas operações arriscadas.
O deputado criticou a demora para afastar o ex-presidente do fundo, dando a entender que isso pode indicar conivência. Para ele, a atuação da administração estadual deve ser investigada, uma vez que o prejuízo de R$ 1 bilhão indica um possível esquema organizado.
O Rioprevidência é uma entidade que abrange três fundos diversos: o dos militares, o dos servidores antigos e o dos novos servidores, este último, até então, em boa situação financeira, com R$ 3 bilhões acumulados. Contudo, esse fundo sofreu uma perda significativa, resultando em uma preocupação crescente para aqueles que estão prestes a se aposentar.
Flávio Serafini já obteve 18 assinaturas, mas precisa de mais apoio para que a CPI seja instaurada. Ele afirmou que, se os partidos de oposição se unirem, a CPI poderá sair do papel. O deputado fez um apelo, especialmente à bancada do partido do prefeito, que tende a ser relutante em assinar propostas que possam confrontar o governo.
Além desse caso, Serafini também comentou sobre a decisão do Tribunal de Justiça do Rio, que determinou o pagamento de indenização à viúva de Marielle Franco, Mônica Benício, pelos homens envolvidos em seu assassinato. Embora tenha celebrado a decisão, ele reconheceu que não é suficiente para reparar a perda causada por esse crime político.
O deputado alertou que, nos dias 24 e 25 de fevereiro, ocorrerá o julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle, figuras proeminentes na política do Rio. Para ele, a condenação dessas pessoas é essencial para a restauração da justiça e da ordem no estado.
Enquanto isso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) irá retomar, no dia 18, o julgamento que pode levar à cassação do governador Cláudio Castro. Nos bastidores, especula-se que ele possa renunciar ao cargo como uma estratégia para evitar a inelegibilidade e se preparar para uma futura candidatura ao Senado.
Diante desse cenário complexo, Serafini acredita que o governador está preocupado com possíveis consequências legais e procura garantir sua permanência no poder. A situação do estado do Rio de Janeiro, marcada por embates políticos e escândalos financeiros, continua a ser preocupante para a população.

