Comissão investiga tortura em quarto branco do ‘BBB 26’

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enviou uma carta aberta à produção do Big Brother Brasil 26, criticando a dinâmica do “quarto branco”. A comissão, parte do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, alega que essa prática se assemelha a métodos de tortura utilizados durante a ditadura militar no Brasil, banalizando o sofrimento.

No documento, a CEMDP afirma que a privação de sono, o confinamento e o desorientamento temporal encontrados no quarto branco lembram tragédias históricas. Eles destacam que essa edição do programa intensificou as provas e castigos, fazendo com que o sofrimento dos participantes fosse transformado em entretenimento. A comissão expressa preocupação com os limites éticos e humanos que tais dinâmicas transgridem.

A carta também menciona o artigo 5º da Constituição, que proíbe explicitamente a tortura. Para a CEMDP, o consentimento dos participantes não justifica práticas que possam ser consideradas cruéis ou degradantes, especialmente em uma emissora de televisão pública. A letra enfatiza a necessidade de preservar valores éticos e sociais nas transmissões.

Entre os signatários da carta estão pessoas que representam parentes de vítimas da repressão e membros da sociedade civil. Eles lembram que uma das participantes desmaiou após ficar mais de 120 horas confinada no quarto, o que levanta questões sobre a segurança e o bem-estar dos participantes.

A CEMDP também discute a importância de não normalizar essas situações de sofrimento em nome do entretenimento. A comissão é relembrada por sua trajetória, dedicada a reconhecer e redimir as memórias das vítimas da ditadura, e considera sua intervenção no caso do BBB uma forma de manter vivo o debate sobre violência de Estado.

No episódio que ganhou destaque, os participantes estavam em um ambiente isolado com recursos limitados, enfrentando barulhos constantes e condições adversas. A prova desafiou não apenas seu corpo, mas também sua resistência mental. O evento culminou com o desmaio de Rafaella Jaqueira, que então foi retirada do jogo.

A CEMDP conclui com um apelo para que a sociedade questione esse tipo de dinâmica de reality shows, alertando para o risco de banalização da violência que pode resultar de tais representações na mídia. Até o momento, a emissora não se pronunciou sobre as críticas recebidas.