
Neste domingo (30), Honduras realizará um importante processo eleitoral. Mais de 6,5 milhões de cidadãos estão aptos a votar para escolher o novo presidente ou presidenta que sucederá Xiomara Castro, do partido Liberdade e Refundação (Libre). Além da presidência, também serão renovados todos os 128 assentos do Congresso e quase 300 prefeituras municipais.
A disputa pela presidência envolve cinco candidatos, mas três se destacam. Rixi Moncada, do partido Libre, é a candidata oficial. Advogada e professora, Moncada busca se tornar a segunda mulher a ocupar a presidência do país. Se eleita, ela receberá a faixa de Xiomara Castro, marcando um momento histórico na América Latina, onde uma presidenta transferiria o cargo a outra mulher.
O principal candidato da oposição é Nasry Asfura, do Partido Nacional. Ex-prefeito do Distrito Central e empresário da construção, Asfura se apresenta como um defensor da direita conservadora. Ele já concorreu em 2021, mas foi derrotado, e atualmente enfrenta investigações por corrupção durante seu mandato na prefeitura.
O terceiro candidato é Salvador Nasralla, do Partido Liberal, conhecido por sua longa carreira na televisão. Esta é a terceira tentativa de Nasralla para a presidência. Em 2021, ele renunciou à candidatura para apoiar Xiomara Castro e, posteriormente, atuou como vice-presidente.
### Acusações de Fraude
A poucos dias da eleição, o clima político em Honduras está carregado de tensão, com alegações de possíveis fraudes. Recentemente, o procurador-geral, Johel Zelaya, revelou gravações que supostamente mostram líderes do Partido Nacional em discussões sobre um plano para desacreditar uma possível vitória de Moncada. A candidata já anunciou que não aceitará os resultados preliminares da votação, prevendo realizar sua própria contagem.
Os partidos de oposição afirmaram que as gravações são falsas e acusado o governo de orquestrar uma “campanha suja”. Além disso, houve denúncias de que a atual administração estaria preparando uma fraude para garantir sua vitória.
### Interferência dos Estados Unidos
A poucos dias das eleições, figuras da oposição viajaram aos Estados Unidos para pedir intervenção frente ao que consideraram uma “fraude iminente”. Entre os que viajaram estava Salvador Nasralla, que participou de uma audiência no Congresso americano sobre as eleições em Honduras. A congressista María Elvira Salazar criticou a atual presidência, afirmando que os hondurenhos merecem um governo que não seja de esquerda.
A intervenção americana chegou ao ponto de receber apoio direto do ex-presidente Donald Trump, que expressou apoio a Nasry Asfura nas redes sociais e acusou Rixi Moncada de ser “comunista”.
### Do Golpe de 2009 ao ‘Socialismo Democrático’
Estas eleições são as primeiras desde que o partido Libre assumiu o poder em 2021, convertendo-se na primeira força política a romper com o sistema bipartidário que predominou por décadas. O partido foi formado em 2011 como uma reação ao golpe de Estado contra o então presidente Manuel Zelaya.
Desde então, Honduras passou por um período longo de corrupção e violência política. O governo de Juan Orlando Hernández, que governou de 2013 a 2021, enfrentou protestos e acusações de fraudes eleitorais, além de escândalos relacionados ao narcotráfico.
### Projetos em Disputa
A campanha de Rixi Moncada se concentra em enfrentar a desigualdade econômica, denunciando que dez famílias controlam a maior parte da economia do país. Ela promove uma “democratização econômica” e propõe uma reforma fiscal que aumentaria a carga tributária sobre os mais ricos.
Pelo lado de Asfura, a retórica foca na defesa de um livre mercado, prometendo um ambiente de negócios favorável e se opõe à intervenção estatal na economia. Sua plataforma está alinhada com a direita americana e busca reverter as políticas progressistas do governo de Libre.
Assim, Honduras se prepara para um eleitoral que não apenas escolherá seu próximo líder, mas que também refletirá as tensões sociais e políticas que permeiam o país.

