
Clínica estética interditada em Campo Grande por irregularidades
Uma clínica de estética em Campo Grande foi interditada após uma fiscalização da Vigilância Sanitária em parceria com a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo. Durante a operação, realizada na manhã de sexta-feira (28), foram encontradas diversas irregularidades, incluindo medicamentos vencidos e produtos de uso estético não registrados. Três funcionárias da All In Stetic & Laser foram presas.
Uma paciente de 34 anos, que procurou a clínica para realizar depilação a laser, relatou que nunca foi informada sobre os produtos usados em seus procedimentos, os quais incluíam botox e preenchimento labial. Em seu depoimento, ela mencionou que encontrou a clínica pela internet e decidiu fechar um pacote de depilação a laser, mas acabou sendo convencida a realizar outros tratamentos. A paciente pagou R$ 650,00 por cada um dos procedimentos adicionais e cerca de mil reais pela depilação, parcelando em cartão de crédito.
No dia 7 de novembro, a paciente passou pelo procedimento de botox e preencheu os lábios, sempre com a mesma profissional. No retorno combinado para o preenchimento labial, ela foi surpreendida com a informação da fiscalização e que não havia consulta agendada.
Durante a inspeção, os fiscais encontraram produtos como Lipostabil, toxina Xeomin e ácido hialurônico com validade expirada, além de medicamentos restritos. Jaqueline Franciele de Oliveira, uma das funcionárias, foi presa ao tentar se passar por paciente. Ela acabou confessando que era funcionária da clínica e estava com uma mochila cheia de produtos ilegais.
Outra funcionária, Greice Kelly da Silva Savala, também foi presa e afirmou que a proprietária da clínica, Jéssica Parzianello Lopes, era a responsável pela compra dos produtos. Greice confirmou o uso de materiais irregulares, mas disse que os vencidos estavam separados e não eram utilizados. Gislane Leite Rodrigues, a recepcionista, também foi presa, mas afirmou que não tinha conhecimento das irregularidades, se limitando a tarefas de recepção e drenagens corporais.
As três funcionárias foram levadas à audiência de custódia, onde receberam liberdade provisória. A clínica, que existia desde 2024, permanece interditada enquanto as investigações continuam. A proprietária ainda não foi localizada, mas sua ausência levanta preocupações sobre a segurança dos procedimentos oferecidos.
A All In Stetic & Laser já enfrentou várias denúncias sérias na Justiça, incluindo um caso onde uma cliente sofreu queimaduras após um procedimento de criolipólise, o que resultou em um processo pedindo mais de R$ 100 mil em indenização. A paciente afirmou que, após o procedimento, sentiu dor intensa e foi hospitalizada devido às severas queimaduras. Outra cliente também processou a clínica por falta de resultados após meses de tratamentos estéticos.
Com essas denúncias, a situação da clínica e os riscos associados aos seus serviços se tornaram uma preocupação significativa para as autoridades e para o público em geral.

