Manoel Carlos morre aos 92 anos e marca fim das novelas na Globo

Manoel Carlos, importante autor e diretor da teledramaturgia brasileira, faleceu no último sábado, 10 de fevereiro, aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por sua família, que não revelou a causa da morte. Manoel Carlos estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde tratava Doença de Parkinson, que afetou sua mobilidade e cognição nos últimos anos.

Nascido em São Paulo, em 1933, Manoel Carlos sempre se considerou carioca. Desde jovem, trabalhou nos palcos e formou, ao lado de grandes nomes como Fernanda Montenegro, um grupo de teatro. Sua vida artística começou cedo, e ele chegou a trabalhar em um escritório enquanto se dedicava às artes.

A carreira na televisão começou antes de sua chegada à Globo, onde atuou em diferentes funções, como autor, produtor e ator. Em 1972, ele se tornou diretor do programa “Fantástico”, uma das maiores atrações da emissora, onde ficou por três anos. Foi a partir de 1978 que ele consolidou sua colaboração com a dramaturgia da Globo, adaptando romances para novelas de sucesso, como “Maria, Maria” e “A Sucessora”.

Manoel Carlos é conhecido por criar histórias que abordavam conflitos familiares e a vida da classe média urbana, destacando o Rio de Janeiro como pano de fundo em suas novelas. Títulos como “Água Viva”, “Malu Mulher” e “Baila Comigo” estão entre suas obras mais célebres. Um dos seus maiores legados é a criação da personagem “Helena”, uma representação de mulheres fortes e resilientes, que aparece em várias de suas produções, incluindo “Por Amor” e “Mulheres Apaixonadas”.

Em sua vida pessoal, Manoel Carlos deixa duas filhas: Júlia Almeida, atriz, e Maria Carolina, que também é roteirista. Infelizmente, ele perdeu três filhos anteriormente, um ocorrido em 1988, outro em 2012 e o mais recente em 2014.

O velório acontecerá de forma restrita, apenas com a presença de familiares e amigos próximos. A família expressou agradecimento pelas mensagens de apoio recebidas e pediu respeito à sua privacidade neste momento.

Manoel Carlos deixou um legado significativo na televisão brasileira, com uma carreira que abrange mais de quatro décadas e inclui sucessos como “Helena”, “Novo Amor” e “Felicidade”. Sua influência moldou a narrativa audiovisual do Brasil, especialmente no que diz respeito à representação das relações familiares na TV. A sua morte marca o fim de uma era importante para a teledramaturgia do país.