Químicos eternos contaminam alimentos na Europa e EUA

Ácido Trifluoroacético (TFA) Presente em Alimentos Comuns Pode Ser Perigoso à Saúde

O ácido trifluoroacético (TFA), uma substância classificada como altamente tóxica e conhecida como "produto químico eterno", tem sido identificado em diversos alimentos, especialmente aqueles à base de trigo, como pães, doces e massas, além de uvas, amêndoas e tomates. Essa informação é resultado de duas pesquisas independentes realizadas na Europa e nos Estados Unidos.

O TFA é gerado pela decomposição de compostos químicos conhecidos como per e polifluoroalquilados (PFAS) no solo. Esses compostos começaram a ser usados na década de 1950, inicialmente em panelas de teflon, mas rapidamente se espalharam para outros produtos, como cosméticos, adesivos e agrotóxicos.

Entre os riscos à saúde associados ao TFA, destaque para os problemas no sistema reprodutor masculino, efeitos prejudiciais na tireoide e no fígado, além de impactos em diversas funções imunológicas, conforme relatado por especialistas da organização Pesticide Action Network Europe (PAN Europe).

Um dos principais problemas do TFA é sua resistência à degradação, o que significa que ele pode persistir no meio ambiente e se acumular no corpo humano por centenas ou até milhares de anos.

Pesquisa Revela Contaminação Alta nos Alimentos

No início de dezembro, a PAN Europe divulgou um estudo que identificou o TFA em 81% de 66 amostras de alimentos coletadas em 16 países europeus. Os dados mostram que a substância estava presente em cereais matinais, doces, massas, croissants e pães, com concentrações até 107 vezes superiores às encontradas na água da torneira.

A pesquisa também destacou que o TFA tende a se acumular na água e no solo, sendo absorvido mais facilmente por plantas, especialmente o trigo. Isso pode explicar as altas concentrações encontradas em produtos de panificação e biscoitos infantis. A contaminação nos alimentos analisados foi atribuída ao uso de agrotóxicos.

Situação nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, um estudo do Environmental Working Group (EWG) apontou a presença de PFAS em alimentos na Califórnia. Entre 2018 e 2023, as fazendas do estado utilizaram em média 1,13 milhão de quilos de agrotóxicos que continham essas substâncias. Plantações de amêndoas, uvas para vinho, tomates, pistaches e alfafa foram os principais locais de aplicação.

As regiões agrícolas de Fresno, Kern e San Joaquin, conhecidas por sua alta produtividade, registraram um volume significativo dessa aplicação, colocando em risco tanto trabalhadores rurais quanto comunidades vizinhas.

O EWG já adverte há tempos sobre os efeitos prejudiciais dos agrotóxicos, como o glifosato. Além disso, a organização aponta a adição de substâncias químicas eternas aos agrotóxicos como uma preocupação crescente para a saúde pública e o meio ambiente.

Embora a União Europeia tenha banido muitos agrotóxicos que contêm PFAS, incluindo substâncias amplamente aplicadas nas lavouras da Califórnia, a acessibilidade a esses produtos continua alta. Dados indicam que entre 2018 e 2024, as exportações de agrotóxicos proibidos na Europa para o Brasil aumentaram mais de 50%.

Os especialistas alertam que esses agrotóxicos PFAS representam um risco significativo e frequentemente negligenciado para a saúde de milhões de pessoas.