IGP-DI registra deflação em junho com queda nas commodities

Em junho, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve uma queda de 1,80%, após registrar uma redução de 0,85% em maio. Esses dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia. O resultado foi maior do que o esperado pelo mercado, que projetava uma diminuição de 1,62%, variando entre 2,11% e 1,37%.

De acordo com Matheus Dias, economista da instituição, a principal causa dessa queda foi a diminuição nos preços das matérias-primas brutas. O café, por exemplo, viu uma queda significativa nos preços para os produtores, o que impactou, por sua vez, os preços no varejo. Outro fator importante foi a baixa no minério de ferro, essencial para a produção de aço, que também contribuiu para a redução nos preços de materiais metálicos usados na construção.

Ao analisar o acumulado em 12 meses, o IGP-DI registra alta de 3,83%, que ficou abaixo da previsão média de 4,03%. As estimativas variavam entre 3,52% e 4,29%. No ano, a queda acumulada até agora é de 1,76%. Em junho do ano passado, o índice havia avançado 0,50%, com alta de 2,88% em 12 meses.

Desempenho dos Preços no Atacado

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do IGP-DI, também apresentou um recuo significativo de 2,72% em junho, após uma queda de 1,38% em maio. Abaixo estão as variações por estágios de processamento do IPA:

  • Bens Finais: -0,88% (maio: +0,48%)
  • Bens Finais excluindo alimentos in natura e combustíveis: -0,46% (maio: +0,74%)
  • Bens Intermediários: -1,24% (maio: -0,95%)
  • Bens Intermediários excluindo combustíveis e lubrificantes: -1,26% (maio: -0,57%)
  • Matérias-Primas Brutas: -4,95% (maio: -2,86%)

Variação dos Preços no Varejo

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que compõe 30% do IGP-DI e mede a variação dos preços no varejo, subiu apenas 0,16% em junho, apresentando desaceleração em relação ao aumento de 0,34% em maio. Entre os oito grupos analisados, seis mostraram quedas nas taxas de variação.

Os grupos que tiveram redução nos preços foram:

  • Alimentação: de +0,29% para -0,19%
  • Saúde e Cuidados Pessoais: de +0,59% para -0,02%
  • Habitação: de +0,98% para +0,57%
  • Transportes: de +0,02% para -0,15%
  • Despesas Diversas: de +0,44% para +0,05%
  • Vestuário: de +0,56% para +0,31%

Por outro lado, dois grupos tiveram aumento:

  • Educação, Leitura e Recreação: de -0,71% para +1,03%
  • Comunicação: de -0,34% para -0,07%

Análise do Núcleo do IPC e do Índice de Difusão

O núcleo do IPC, que exclui itens mais voláteis, subiu 0,32% em junho, uma leve queda em relação a 0,36% em maio. O índice é composto por 85 itens, dos quais 40 foram excluídos. Desses, 28 tiveram variações abaixo da linha de corte de 0,03% e 12 acima da linha de corte de 0,55%.

Em relação ao Índice de Difusão, que mede a proporção de itens com variação positiva, houve uma queda de 60,65% em maio para 50,97% em junho, o que representa uma redução de 9,68 pontos percentuais.

Custo da Construção em Alta

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que compreende 10% do IGP-DI, registrou uma alta de 0,69% em junho, superando a taxa de 0,58% observada em maio. As variações dos três grupos que compõem o INCC foram:

  • Materiais e Equipamentos: passou de uma deflação de 0,27% para uma alta de 0,12%
  • Serviços: subiu de 0,45% para 1,26%
  • Mão de Obra: caiu de 1,68% para 1,32%

Esses números refletem uma série de mudanças no cenário econômico e indicam a complexidade do comportamento dos preços na economia brasileira.