Big Mac atinge a maior inflação dos últimos 11 anos; entenda

Inflação medida pelo Big Mac – Se medirmos a economia global através do valor de um item universalmente conhecido – o Big Mac –, uma imagem intrigante emerge. Surpreendentemente, o Brasil se destaca nessa medida única, mostrando uma estabilidade que desafia as expectativas, enquanto em outros países o preço do famoso sanduíche atinge altas percentuais impressionantes. Mas o que isso significa realmente para a economia global e para o Brasil? O “Índice Big Mac”, um indicador econômico não convencional, revela algumas respostas fascinantes.

Big Mac atinge a maior inflação dos últimos 11 anos; entenda
A inflação afetou os preços de diversos produtos, mas o Big Mac no Brasil permaneceu estável. Foto: divulgação

Big Mac é indicador de inflação?

A estabilidade econômica do Brasil pode ser ilustrada pelo preço constante do Big Mac no país nos últimos doze meses, sem qualquer variação. Comparado a outros 16 países analisados, essa é uma ocorrência notável, especialmente quando se olha para a Argentina, onde o preço do mesmo item de menu aumentou quase 180%.

Veja também: Empréstimo consignado: existe limite de idade para pedir?

Mas a visão a longo prazo também é positiva para o Brasil. Desde o início da pandemia, em janeiro de 2020, o custo do hambúrguer subiu apenas 15% nas lanchonetes brasileiras ao longo desses três anos e meio. Entre os 16 países avaliados, essa foi a terceira menor variação.

Esses números vêm de dados reunidos pela CNN, utilizando o “Índice Big Mac”, um indicador criado pela revista britânica Economist. A revista rastreia o preço do Big Mac em diversos países, oferecendo uma comparação “despretensiosa” dos custos e taxas de câmbio internacionais. A lógica é que, dado que os ingredientes do famoso sanduíche são idênticos em todos os países, seu custo deveria ser o mesmo quando convertido para dólares, assumindo que essas economias estivessem em equilíbrio. O levantamento é realizado semestralmente, e os dados mais recentes foram publicados na semana passada.

A inflação do Big Mac em 2023 teve algumas estatísticas notáveis. A Argentina e a Turquia lideraram com aumentos de 180% e 102% respectivamente. Nos Estados Unidos, o preço aumentou 8,3%, chegando a US$ 5,58, ou o equivalente a R$ 27,30. Isso marcou o maior reajuste no preço nos EUA em 11 anos. A Economist até cunhou um termo para o fenômeno: “McFlação”.

Variação de preços

A variação nos preços do Big Mac nos EUA está longe de ser a pior, com inflações chegando ao dobro ou mais em outros países desenvolvidos. Na Zona do Euro e no Reino Unido, o aumento foi de 13,5%, enquanto no Canadá, o preço subiu 20%. Até o Japão, que antes da pandemia estava estagnado em termos de preços e crescimento, viu um aumento de 15% desde o ano passado.

Segundo a Economist, essas grandes diferenças entre a inflação dos EUA e seus pares refletem o fortalecimento do dólar em relação às suas moedas. As disparidades também são, em parte, um reflexo dos aumentos mais agressivos das taxas de juros feitos pelo Federal Reserve dos EUA.

Em termos de aumentos acumulados, o Brasil ainda se destaca. Embora o McDonald’s brasileiro não tenha alterado o preço do Big Mac no último ano, ele teve um aumento de 15% desde janeiro de 2020. Isso é significativamente menos do que a maioria dos países, com vizinhos como Uruguai, Chile e Colômbia vendo aumentos de mais de 40%, e o México, de quase 80%.

Enquanto isso, na Zona do Euro, o Big Mac ficou 28% mais caro em 2023 em comparação ao início da pandemia. A Turquia teve um aumento acumulado de mais de 630%, e a Argentina, de mais de 860%.

O “Índice Big Mac” pode ser uma forma não convencional de analisar a economia, mas suas descobertas fornecem uma perspectiva interessante sobre o poder de compra, a inflação e a força relativa das moedas. Para o Brasil, esses números indicam uma estabilidade admirável em meio a oscilações globais significativas, uma história que vai muito além de um simples hambúrguer.

Veja também: Qual é a idade MÁXIMA para financiar um carro