Cesta de basquete vista de baixo

Regras do basquete: pontos, tempo, faltas e violações

Vinte e quatro segundos. É o tempo que um time tem para arremessar, e foi esse relógio que transformou o basquete no jogo veloz que conhecemos. Sem ele, uma equipe que estivesse vencendo poderia simplesmente segurar a bola até o fim. Muitas das regras do esporte têm uma lógica parecida: impedir que alguém trave o jogo e dar espaço a todos para atacar e defender.

As explicações a seguir seguem as regras da Fiba, a federação internacional, usadas em campeonatos como o NBB e na maioria das competições do Brasil. Quando a NBA, a liga norte-americana, faz diferente, isso é indicado. Em jogos de escola ou de praça, o combinado local pode mudar alguns detalhes.

A quadra e os jogadores

A quadra da Fiba mede 28 metros por 15. Em cada extremidade, um aro fica a 3,05 metros do chão. Cada equipe joga com cinco atletas por vez, e o elenco fica no banco, com substituições ilimitadas, feitas em momentos em que o jogo para.

Algumas marcas no piso são muito importantes:

  • Linha central: divide a quadra em campo de ataque e de defesa.
  • Garrafão: retângulo pintado perto da cesta.
  • Linha de lance livre: de onde são cobradas as penalidades.
  • Linha de três pontos: arco que separa os arremessos de dois e três pontos, a 6,75 metros da cesta nas regras da Fiba, com uma distância um pouco menor nos cantos.

Como se pontua

Existem três tipos de cesta:

  • 1 ponto: lance livre.
  • 2 pontos: arremesso de dentro da linha de três.
  • 3 pontos: arremesso de fora da linha, com os pés atrás dela no momento em que o atleta salta.

Se um pé pisa na linha na hora do arremesso, a cesta vale dois. Depois de qualquer cesta, a equipe que sofreu o ponto repõe a bola de trás da própria linha de fundo.

O tempo de jogo

Uma partida da Fiba tem quatro quartos de 10 minutos. Na NBA, são quatro quartos de 12 minutos. O cronômetro para em faltas, bolas fora, tempos e em outras situações, por isso um jogo de 40 minutos de bola rolando pode durar perto de duas horas.

Não existe empate. Se o placar estiver igual ao fim do tempo normal, é disputada uma prorrogação de 5 minutos. Se o empate continuar, joga-se outra, e assim por diante até haver um vencedor.

Cada equipe pode pedir tempos técnicos: na Fiba, são dois na primeira metade, três na segunda e um por prorrogação.

Os relógios do ataque

Boa parte da tensão do basquete está nos limites de tempo. Quem conhece esses números entende por que o técnico se desespera nos segundos finais de uma posse.

  • 24 segundos: tempo máximo para o ataque arremessar. A bola precisa tocar o aro ou entrar na cesta antes do fim do relógio. Se a bola toca o aro e o próprio ataque pega o rebote, o relógio volta a 14 segundos.
  • 8 segundos: tempo para levar a bola da defesa para o ataque, cruzando a linha central.
  • 5 segundos: tempo máximo para repor a bola em jogo ou, se o atleta estiver bem marcado, para segurar a bola sem driblar, passar ou arremessar. Na cobrança de lance livre, o limite também é de 5 segundos.
  • 3 segundos: tempo máximo que um atacante pode permanecer no garrafão adversário enquanto sua equipe tem a posse de bola no ataque.

Se uma dessas regras for violada, a bola passa para o adversário. Não há ponto e não há lance livre.

Violações mais comuns

Violação é um erro no manejo da bola ou no uso dos espaços. Ela não conta como falta, e a punição é a perda da posse.

Andada. O jogador que está com a bola tem direito a uma contagem limitada de passos sem driblar. Dar passos demais é andada, ou “passos”. É a violação mais comum entre iniciantes, que costumam correr com a bola debaixo do braço depois de terminar o drible.

Drible duplo. Quem para de driblar, segurando a bola com as duas mãos, não pode voltar a driblar. Precisa passar ou arremessar. Driblar com as duas mãos ao mesmo tempo também é violação.

Condução. A mão não pode ficar por baixo da bola, carregando-a de um lado para outro, durante o drible.

Volta de bola. Depois que o ataque leva a bola para o campo ofensivo, a equipe não pode devolvê-la para a própria defesa e ser a primeira a tocá-la lá.

Bola fora. Quem pisa na linha lateral ou de fundo com a bola está fora. A linha faz parte da área externa. A posse vai para o adversário de quem tocou a bola por último.

Interferência. A defesa não pode tocar a bola em trajetória descendente para a cesta, nem quando ela está sobre o aro. Se isso ocorre em um arremesso, a cesta é validada. Essa infração é chamada de goaltending.

Faltas

Falta é contato ilegal ou conduta indevida. Basquete tem bastante contato, mas o corpo não pode empurrar, segurar, bloquear de forma ilegal ou atingir o adversário. Um dos princípios é o do cilindro: cada jogador tem direito ao espaço em volta de si, e quem invade o espaço alheio costuma ser responsável pelo contato.

Tipos de falta que você verá na TV:

  • Falta pessoal: contato ilegal comum.
  • Falta de ataque: cometida por quem está com a bola, por exemplo, quando atropela um defensor bem posicionado. É chamada de carga.
  • Falta técnica: por conduta, como reclamar de forma excessiva. Dá um lance livre ao adversário.
  • Falta antidesportiva: contato sem chance legítima de jogar a bola ou excessivo, punido, em geral, com dois lances livres e a posse da bola.
  • Falta desqualificante: conduta muito grave, que tira o atleta do jogo.

Na Fiba, quem comete cinco faltas é excluído da partida e não pode voltar. Na NBA, o limite é de seis. Por isso, técnicos costumam tirar seus melhores jogadores de quadra quando acumulam faltas cedo.

Quando há lance livre

Nem toda falta gera lance livre. As situações principais são:

  • Falta em arremesso: se a bola não entrou, o atleta cobra dois lances livres, em tentativa de dois pontos, ou três, em tentativa de três pontos. Se entrou, a cesta vale, e ele cobra mais um.
  • Bônus de equipe: cada time pode cometer quatro faltas por quarto. Da quinta falta em diante, toda falta de defesa gera dois lances livres, mesmo fora de um arremesso.
  • Faltas técnicas e antidesportivas: seguem as regras próprias de cada caso.

Na cobrança, o cobrador fica atrás da linha, e os demais jogadores se posicionam nos espaços marcados ao lado do garrafão. Ninguém pode entrar antes de a bola sair da mão do cobrador. Faltas no fim do jogo são usadas de forma tática: o time que perde comete faltas para parar o relógio e tentar recuperar a posse, contando que o adversário vá desperdiçar lances livres.

Bola ao alto e posse

O jogo começa com a bola lançada para o alto, no círculo central, entre dois adversários. Depois disso, na Fiba, situações de bola presa, em que dois jogadores seguram ao mesmo tempo, são resolvidas pela posse alternada: uma seta na mesa indica a equipe que ficará com a bola. Na NBA, o lance costuma ser resolvido com outra bola ao alto.

Principais diferenças entre Fiba e NBA

Quem acompanha NBB, seleção brasileira e NBA percebe mudanças, além do tempo de cada quarto e do limite de faltas:

  • A quadra da NBA é um pouco maior.
  • A linha de três da NBA é mais distante, com 7,24 metros no arco.
  • Na NBA existe a regra dos três segundos defensivos: um defensor não pode ficar parado no garrafão sem marcar alguém.
  • Na NBA, o técnico pode pedir revisão de lances em situações previstas.

Perguntas frequentes

Basquete é um esporte sem contato?

Não. Ele é um esporte com contato controlado. Disputar posição no garrafão ou se chocar levemente em um rebote faz parte do jogo. A falta aparece quando o contato é ilegal ou dá vantagem indevida.

Por que a defesa não pode tocar a bola na descida?

Sem essa regra, um jogador muito alto poderia ficar ao lado do aro, retirando as bolas que estavam indo para a cesta. A interferência protege o arremesso.

Quantas substituições são permitidas?

Não há limite. O técnico pode trocar quem quiser quantas vezes achar necessário, desde que nos momentos de bola parada previstos pela regra.

O 3×3 é igual?

Não. O 3×3, modalidade olímpica, é jogado em meia quadra, com uma só cesta, três atletas de cada lado, cestas de 1 e 2 pontos e um relógio de ataque de 12 segundos, entre outras adaptações. A partida termina aos 10 minutos ou quando uma equipe chega a 21 pontos.

Quem pode pedir tempo técnico?

O pedido é feito pelo técnico, e ele é autorizado quando a regra prevê uma oportunidade de pausa. Em jogos amadores, a forma de pedir pode ser combinada com a arbitragem antes da partida.