Cidadãos apoiam pedido de CPI do Lixo em Olinda sem vereadores

Nesta terça-feira, 19 de setembro, a vereadora Eugênia Lima, do Partido dos Trabalhadores (PT), protocolou um pedido na Câmara Municipal de Olinda para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O objetivo é investigar os contratos e a prestação dos serviços de coleta de lixo na cidade. A solicitação vem acompanhada de um estudo técnico elaborado pela equipe da vereadora, contendo dados financeiros, administrativos e ambientais sobre a coleta e tratamento de resíduos sólidos em Olinda desde 2022. Além disso, há um abaixo-assinado com mais de três mil assinaturas de cidadãos apoiando a iniciativa.

A decisão sobre a abertura da CPI cabe ao presidente da Câmara, vereador Saulo Holanda, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No entanto, o regimento interno da casa exige o apoio de pelo menos sete vereadores para que o pedido possa ser analisado. Dentre os 17 vereadores de Olinda, Eugênia Lima é a única que se opõe à gestão da prefeita Mirella Almeida, do Partido Social Democrático (PSD). Até o momento, ela não conseguiu o apoio dos demais parlamentares, o que indica que a proposta de criar uma CPI enfrenta dificuldades na Câmara, mesmo diante das constantes reclamações da população sobre o acúmulo de lixo nas ruas.

No pedido de abertura da CPI, Eugênia Lima solicita um prazo de 90 dias para que uma comissão composta por cinco vereadores conduza as investigações sobre os contratos de coleta de resíduos em vigor entre janeiro de 2022 e fevereiro de 2026. Durante esse período, a comissão poderá convocar pessoas envolvidas na gestão do serviço para prestar esclarecimentos. A vereadora ressalta que a prefeitura de Olinda, desde a gestão anterior, acumulou dívidas e tem feito repetidos aditivos e contratos emergenciais com as empresas responsáveis pela coleta.

Eugênia Lima menciona a insatisfação crescente da população e acredita que essas críticas, bem como as informações do dossiê apresentado, deveriam ser suficientes para convencer os vereadores a investigar o serviço de coleta de lixo. Ela questiona por que a empresa que realiza a coleta em Recife não cumpre o mesmo padrão de eficiência em Olinda, destacando a crise persistente na gestão dos resíduos sólidos na cidade. Essa situação afeta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e o equilíbrio financeiro do município.

Outro ponto abordado pela vereadora é a inadimplência da prefeitura, que acumula dívidas de aproximadamente R$ 2 milhões com a Central de Tratamento de Resíduos Ltda, empresa encarregada do tratamento dos resíduos sólidos. A coleta de lixo na cidade é realizada pela Locar Gestão de Resíduos. Eugênia aponta que há indícios de má gestão, com problemas como inadimplência e falta de transparência, além de falhas na destinação final dos resíduos.

A vereadora também critica a falta de implementação de um sistema de coleta seletiva e a exclusão dos catadores de recicláveis, o que vai contra a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecida pela Lei Federal nº 12.305 de 2010.

Durante o Carnaval de 2026, a situação se tornou ainda mais visível, já que a cidade, conhecida nacionalmente por suas festividades, enfrentou problemas com lixo acumulado nas ruas do Sítio Histórico. Imagens mostraram foliões tropegando em meio ao entulho, o que já era um problema de prolongada exposição. A população, em resposta à falta de coleta em várias áreas, chegou a queimar lixo nas esquinas para evitar a presença de pragas urbanas. Além disso, as chuvas de maio, que aumentaram o nível do rio Beberibe, contribuíram para o despejo irregular de lixo nos rios e canais, agravando ainda mais a situação.