Agronegócio impede políticas públicas para combater pobreza rural

Mais de 100 mil Famílias Sem Terra no Brasil

Atualmente, mais de 100 mil famílias estão acampadas no Brasil, aguardando por terras para cultivar e viver. Este número destaca a lentidão no avanço das políticas públicas voltadas para os trabalhadores rurais e seus direitos, conforme apontado na carta final do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em Salvador, na Bahia.

No encerramento do evento, a deputada estadual Rosa Amorim e o dirigente nacional do MST, Márcio Santos, leram um documento que critica o agronegócio por obstruir a reforma agrária no país. Segundo a carta, a Reforma Agrária Popular é essencial para enfrentar a concentração de terras e os problemas ambientais que o Brasil enfrenta atualmente. Eles afirmam que o agronegócio possui forte influência no Congresso e nos meios de comunicação, o que dificulta mudanças significativas nas políticas agrárias.

O recente ato no Congresso, que derrubou a maioria dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado “PL da Devastação”, mostra a preferência política por modelos que favorecem grandes empresas agrícolas. Além disso, os recursos destinados ao agronegócio no Plano Safra 2025/2026 são 82,75% superiores aos direcionados para a agricultura familiar, o que reforça a disparidade entre esses setores.

A carta do MST sugere que a luta por um modelo de desenvolvimento mais justo passa pela democratização da terra e a defesa do meio ambiente. Os militantes ressaltam que o agronegócio, priorizando a produção de commodities, comprometem a saúde do solo, da água e do ar, prejudicando a qualidade de vida da população.

Além disso, a análise sobre a conjuntura global apresentou um cenário de retrocessos e violências, especialmente contra países que buscam a soberania. O documento destaca o imperialismo e a necessidade de uma luta internacional solidária, especialmente com países como Venezuela, Palestina e Cuba.

No ato político que ocorreu ao final do encontro, participaram cerca de 3 mil trabalhadores e o presidente Lula, que celebrou os 42 anos do MST. Durante essa celebração, as crianças que fazem parte do movimento também se fizeram ouvir, entregando uma carta ao presidente. Nela, expressaram o desejo de ver a terra dividida e pleitearam melhorias como mais escolas no campo e a proteção contra a violência que afeta as famílias Sem Terra.

As crianças pediram por um futuro onde possam estudar e viver com dignidade nas áreas que desejam ocupar. Elas também solicitaram o fim das violências e despejos, pedindo que o Estado garanta sua segurança e direitos.

O 14º Encontro Nacional do MST reuniu um grande número de militantes e aliados, debatendo estratégias e caminhos para o fortalecimento da luta pela Reforma Agrária Popular. Neste contexto, a organização reafirmou seu compromisso com a luta por terra, trabalho e um modelo de desenvolvimento que priorize o bem-estar social e ambiental. A esperança é de um futuro onde todos tenham acesso a uma vida digna no campo, livre das amarras do sistema econômico atual.