MST celebra 42 anos e se prepara para eleições deste ano

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciou a candidatura de 18 membros para as eleições deste ano, em que o movimento celebra 42 anos de atuação. As candidaturas são pelo Partido dos Trabalhadores e têm como objetivo fortalecer a representação de agricultores nos âmbitos estadual e federal.

Ceres Hadich, integrante da direção nacional do MST, ressaltou que o movimento sempre teve uma participação ativa nas eleições, contribuindo para o debate sobre temas agrários e apoiando candidatos alinhados a suas causas. Contudo, nos últimos tempos, decidimos que era hora de apresentar nossas próprias candidaturas para ocupar esses espaços de decisão. Para Hadich, a luta eleitoral é uma extensão da luta de classes e uma parte importante do processo democrático. O emérito debate que se estabelece nesse período é visto como uma oportunidade de divulgar o projeto de reforma agrária popular e aproximar o movimento da sociedade.

“É fundamental aproveitarmos essas eleições para dialogar com o povo, além de buscar mandatos”, completou Hadich durante o 14º Encontro Nacional do MST, realizado em Salvador, Bahia.

Em 2022, o MST elegeu sete representantes, e em 2024 já havia conseguido eleger 43 vereadores. A meta para este ano é reeleger os parlamentares que já ocupam cadeiras e aumentar a presença da luta pela reforma agrária nas casas legislativas.

Entre os candidatos à reeleição, destacam-se a deputada estadual Marina do MST, do Rio de Janeiro, e os deputados Adão Pretto Filho, do Rio Grande do Sul, e Missias do MST, do Ceará. Missias mencionou que, na atual legislatura, apresentou 93 projetos na Assembleia Legislativa do Ceará, com 25 deles aprovados. Ele enfatizou a importância de incluir vozes que representam a realidade dos trabalhadores rurais.

Além dos candidatos conhecidos, o MST traz novas caras. No Pará, Pablo Neri, que atua na área de formação do movimento, busca uma vaga na Assembleia Legislativa local. A decisão de se candidatar foi feita coletivamente pelo movimento no estado, com foco na luta pela terra e na promoção da agroecologia.

Neri apontou que o Pará tem sido historicamente dominado por elites que tratam os cargos públicos de forma colonial. Com sua candidatura, ele espera abrir diálogo com a sociedade paraense e apresentar propostas que beneficiem a população.

Em São Paulo, Jessy Dayane, ex-vice-presidente da União Nacional dos Estudantes e atual secretária adjunta de juventude, também é candidata a deputada estadual. Sua proposta é abordar a questão do direito à alimentação e a reforma agrária como parte fundamental de sua plataforma.

“No Estado de São Paulo, queremos discutir a reforma agrária e garantir que as necessidades alimentares da população sejam atendidas por meio de ações de solidariedade e organização popular”, destacou Dayane.

No Maranhão, Vânia do MST é a candidata que busca conquistar uma vaga na Assembleia. Ela ressaltou a importância de incluir vozes que representem a luta dos trabalhadores contra o agronegócio e a corrupção, almejando um futuro com mais dignidade e justiça social.

Em 21 de setembro, o MST comemorou 42 anos de história. Para os candidatos, o movimento tem um papel fundamental em suas trajetórias pessoais e na luta pela dignidade humana.

“Minha vivência no MST moldou minha visão de mundo. Sinto gratidão pelo que sou, graças ao movimento”, disse Vânia.

Pablo Neri também destacou que a luta é um reflexo do comprometimento com valores que buscam uma vida melhor para todos, convocando a sociedade a se unir em prol de um futuro mais justo e digno.