
Na última terça-feira, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que os EUA deveriam gerenciar diretamente a Venezuela em um governo de transição. Fontes próximas ao gabinete de Trump afirmam que o ex-presidente já teria indicado alguns nomes para liderar o país vizinho. Entre os mencionados, estão figuras notáveis como Marco Rubio, secretário de Estado; Pete Hegseth, secretário de Defesa; John Ratcliffe, diretor da CIA; e Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca.
Curiosamente, não foram citados nomes de políticos venezuelanos para essa possível liderança, e a opositora Maria Corina Machado teria sido excluída das considerações. É importante ter cautela em relação a essas informações, especialmente quando são divulgadas de forma anônima, já que podem se tratar de desinformação.
Em um cenário oposto às declarações de Trump e à circulação de teorias da conspiração, a situação na Venezuela mostra que, apesar da invasão, bombardeios a locais estratégicos e do sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, as instituições do país se mantêm firmes. No dia do sequestro, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela declarou em nota pública que, diante da situação excepcional provocada pelo sequestro do presidente, a vice-presidente Delcy Rodríguez deve assumir as funções presidenciais para garantir a continuidade do governo e a defesa da nação.
### Manifestações da Força Armada Nacional Bolivariana
Na esfera militar, a Força Armada Nacional Bolivariana reafirmou sua lealdade ao governo civil. Em uma declaração divulgada pelo canal Telesur, o General em Chefe, Vladímir Padrino López, condenou o sequestro de Maduro e anunciou que a instituição reconhece Delcy Rodríguez como presidente interina. O general também se comprometeu a garantir a segurança interna e a manutenção da ordem no país.
A população venezuelana respondeu de forma massiva a essa situação. No dia seguinte ao sequestro, muitos se reuniram na avenida Urdaneta, perto do Palácio Miraflores, e organizaram uma “tribuna anti-imperialista” para demonstrar resistência e pedir a liberdade do presidente e de sua esposa. A mobilização atraiu cidadãos pacíficos que se uniram em defesa do governo.
Essas manifestações demonstram que o governo bolivariano ainda conta com apoio popular e institucional. O Tribunal Supremo de Justiça e a Força Armada se colocaram ao lado da continuidade do governo e de sua estrutura, defendendo a soberania nacional.
### Motivos da Ação Militar dos EUA
É importante analisar por que os Estados Unidos teriam decidido agir militarmente na Venezuela. Três razões principais podem ser apontadas. Primeiro, há um interesse significativo em explorar e se apropriar das vastas reservas de petróleo do país, que somam mais de 300 bilhões de barris. As acusações de narcotráfico ou de promoção da democracia são vistas como justificativas secundárias para essa ação.
Em segundo lugar, existe uma preocupação dos EUA com um convênio entre Venezuela e China que está previsto para entrar em vigor em 2026, o qual visa o fortalecimento da cooperação em diversas áreas, incluindo petróleo e gás, além de permitir uma parceria mais estreita entre as duas nações.
Por último, o dia para a invasão, 3 de janeiro, foi escolhido estrategicamente. A data marca o 36º aniversário da invasão do Panamá pelos Estados Unidos, um lembrete de que outros países da América Latina devem se submeter à influência dos EUA ou enfrentar consequências semelhantes.
Esses eventos revelam a complexidade da situação política global e as dificuldades de países menores em lidar com a hegemonia militar dos Estados Unidos. A resposta internacional e a solidariedade com a Venezuela serão cruciais para garantir a soberania nacional e buscar um novo equilíbrio de poder na região.

