Protesto em Porto Alegre exige soberania americana diante de EUA

Na tarde da última quarta-feira, 28 de junho, a Esquina Democrática, localizada no Centro Histórico de Porto Alegre, transformou-se em um espaço de mobilização política. O evento foi organizado pelo Comitê de Solidariedade ao Povo Venezuelano e contou com a participação de diversos grupos, como partidos políticos, centrais sindicais, entidades estudantis e movimentos populares. O objetivo da manifestação foi defender a soberania dos povos da América Latina e denunciar o que os organizadores consideram uma ofensiva imperialista dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Os manifestantes se concentraram inicialmente e, em seguida, fizeram uma caminhada até o Palácio Piratini. No trajeto, uniram-se a uma vigília contra o feminicídio que acontecia no local, o que destacou a interconexão entre lutas internacionais e questões locais.

A escolha da data para a manifestação não foi aleatória. Ela coincidiu com os 12 anos da criação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), um organismo de integração regional que propõe a cooperação política e econômica, livre da influência de potências externas. Os organizadores ressaltaram que essa data simboliza a necessidade de união em um contexto internacional marcado por instabilidades e disputas de poder.

Durante o ato, Claudiane Lopes, dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR), afirmou que a manifestação buscava denunciar o que ela considera uma violação da soberania venezuelana, referindo-se a um episódio que envolve o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cília Flores. Segundo ela, essa situação representa um grave desrespeito ao direito internacional e pede uma resposta unificada dos povos latino-americanos.

Rodrigo Callais, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), também se manifestou sobre a gravidade do ocorrido e alertou que o sequestro de um presidente eleito pode ter repercussões negativas para outros países da região, caso não haja uma resposta institucional adequada. Ele enfatizou que a solidariedade internacional é uma ferramenta fundamental para a classe trabalhadora em momentos de crise.

A ex-deputada estadual Jussara Cony, que integra o Comitê em Defesa da Venezuela, destacou a importância da articulação entre diferentes organizações. Ela afirmou que a busca pela unidade é essencial para a defesa da democracia e da soberania na América Latina.

Os participantes do ato também destacaram a questão econômica por trás da crise na Venezuela. Edson Puchalski, do Partido Comunista do Brasil (PCB), sublinhou que a disputa pelas reservas de petróleo, uma das maiores do mundo, é um fator central para entender a atual situação. Ele argumentou que os Estados Unidos reagem à ascensão de um mundo multipolar com uma postura de força.

Priscila Voight, integrante da Unidade Popular pelo Socialismo, criticou o uso do combate ao narcotráfico como justificativa para intervenções militares, sugerindo que esse argumento tem o objetivo de encobrir interesses econômicos. Para ela, a violência perpetuada em nome de lucros demonstra uma lógica de guerra que afeta principalmente a população civil.

A preocupação com a situação brasileira também foi abordada. Claudiane Lopes alertou que as riquezas naturais do país, como a Amazônia e as reservas de petróleo, fazem do Brasil um alvo para interesses externos. Tiago Pedroso, do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, relacionou o imperialismo ao enfraquecimento de empresas estratégicas e à retirada de direitos trabalhistas no país, citando transformações econômicas ocorridas desde 2016.

Guilherme Bourscheid, do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers) Sindicato, pontuou que a política externa dos Estados Unidos mantém uma postura agressiva, independente da administração em vigor. Ele sugeriu que líderes responsáveis por intervenções militares deveriam ser responsabilizados judicialmente por crimes de guerra.

A caminhada culminou em uma vigília contra o feminicídio, conectando as pautas internacionais com as lutas locais. Maristela Maffei, do Partido dos Trabalhadores em Porto Alegre, destacou que a busca pela paz entre os povos está unida ao enfrentamento de injustiças cotidianas, fazendo um paralelo entre a violência de gênero e as estruturas de exploração.

Por último, Fabiano Negreiros, do Fórum Social das Periferias, mencionou a importância de levar a discussão política para as comunidades onde a população trabalhadora reside. Ele acredita que a organização popular nas periferias é crucial para enfrentar a violência social e a exploração econômica.

O ato terminou com a proposta de construção de uma articulação permanente entre movimentos populares, sindicatos e partidos políticos, visando tanto enfrentar a ofensiva imperialista em nível internacional quanto fortalecer as lutas locais por direitos e justiça social.