
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apresentou, nesta quarta-feira, os dados sobre as operações de combate ao trabalho escravo realizadas em 2025 no país. No último ano, o estado de Mato Grosso destacou-se com o maior número de trabalhadores resgatados, totalizando 607 pessoas.
A maioria dos resgates em Mato Grosso ocorreu em uma única obra: a construção de uma usina de etanol da empresa 3tentos, sob a supervisão da TAO Construtora, localizada em Porto Alegre do Norte. Esse caso representou o maior resgate do tipo no ano.
Em seguida, a Bahia registrou 482 casos de trabalho escravo, enquanto Minas Gerais, São Paulo e Paraíba tiveram, respectivamente, 393, 276 e 253 pessoas resgatadas nessas condições.
Os dados indicam que as obras de alvenaria foram as atividades com mais resgates, totalizando 601 trabalhadores, incluindo os do caso de Porto Alegre do Norte. Outras atividades que seguiram em número de resgates foram a administração pública (304), construção de edifícios (186), cultivo de café (184) e a extração de pedras e outros materiais (126).
O MTE destacou que o trabalho escravo não está limitado a setores específicos, sendo identificado também em outras atividades como colheita de café, mineração ilegal, indústria têxtil e trabalho doméstico. Em 2025, 68% dos resgates foram realizados em áreas urbanas, uma mudança em relação aos anos anteriores, quando a maior parte dos resgates ocorria no campo.
No campo da fiscalização, foram realizadas 122 operações voltadas para o trabalho escravo no setor doméstico, resultando no resgate de 34 pessoas. Os estados onde mais ações fiscais foram realizadas em 2025 incluem São Paulo (215), Minas Gerais (145), Rio de Janeiro (123), Rio Grande do Sul (112) e Goiás (102).
### Caso de Porto Alegre do Norte
O resgate em Porto Alegre do Norte começou após um incêndio no alojamento dos trabalhadores, que ocorreu em 20 de julho de 2025. Revoltados com as condições adversas de trabalho, os trabalhadores atearam fogo no local. As inspeções realizadas posteriormente pelo Ministério Público do Trabalho, MTE e Polícia Federal, entre julho e agosto, revelaram condições precárias de moradia e trabalho.
Os trabalhadores enfrentavam a falta de água potável e alimentação estragada, além de jornadas exaustivas e problemas de saúde, como lesões e doenças de pele. Eles dormiam em quartos superlotados, dividindo um ventilador entre quatro pessoas e utilizando colchões finos, sem lençóis ou travesseiros. Algumas pessoas chegaram a dormir no chão, abaixo de mesas.
A situação se agravou nas semanas que precederam o incêndio, quando houve interrupções no fornecimento de energia, prejudicando o abastecimento de água. Para contornar o problema, a empresa começou a fornecer água turva, retirada do rio Tapirapé, o que gerou reclamações dos trabalhadores sobre a qualidade da água e a dificuldade de acesso a banheiros limpos.
Em resposta às denúncias, a empresa 3tentos afirmou que estava tomando medidas para averiguar a situação e avaliar ações cabíveis. Já a TAO Construtora informou que havia firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT, com foco em garantir suporte imediato aos trabalhadores, sem assumir responsabilidade.
### Dia Nacional do Combate ao Trabalho Escravo
No dia 28 de janeiro, é lembrado o Dia Nacional do Combate ao Trabalho Escravo, uma data que remete a um trágico evento ocorrido em 2004, quando três auditores fiscais e um motorista foram assassinados em Unaí, Minas Gerais, após uma emboscada. O responsável pelo crime era o fazendeiro Norberto Mânica, conhecido como “Rei do Feijão”.
Este acontecimento é lembrado como um marco doloroso na história do país, e a data é uma oportunidade para refletir sobre a importância do combate ao trabalho escravo. A Associação Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho divulgou um manifesto em homenagem às vítimas, ressaltando a necessidade de conscientização e a luta contra essa grave violação dos direitos humanos.

