Saiba como diferenciar uma chamada de telemarketing de uma tentativa de golpe

Aprenda a identificar os sinais de perigo e as táticas usadas por criminosos para enganar as vítimas por telefone.

Receber chamadas de números desconhecidos tornou-se uma parte irritante, e por vezes perigosa, da nossa rotina digital. Entre uma oferta de internet e um aviso de cobrança, escondem-se criminosos astutos que utilizam a voz para tentar roubar dados pessoais ou dinheiro.

A grande dificuldade hoje em dia é que os golpistas conseguem mascarar os seus números, fazendo com que a chamada pareça vir de uma empresa legítima ou até de uma agência governamental. Isso cria uma sensação de urgência que muitas vezes nos faz baixar a guarda.

Diferenciar um operador de telemarketing — que apenas quer vender um produto — de um golpista exige atenção a detalhes subtis. Enquanto o vendedor segue um guião comercial, o criminoso foca-se em criar um cenário de medo ou de uma oportunidade “imperdível” que expira em poucos minutos.

É preciso ter em mente que as instituições financeiras e os órgãos oficiais raramente solicitam dados sensíveis, como senhas ou códigos de confirmação, por telefone. Se a conversa descambar para esse lado, o sinal de alerta deve acender-se imediatamente.

Manter a calma é a melhor defesa. Ao identificar os padrões de abordagem, consegue encerrar a chamada antes de fornecer qualquer informação que possa comprometer a sua segurança financeira ou a sua privacidade.

Sinais claros de que a chamada é um golpe

O primeiro sinal de alerta é a solicitação de dados que a empresa já deveria ter. Se alguém que afirma ser do seu banco pede o número do cartão ou o código que recebeu por SMS, desligue. Nenhum banco sério pede esse tipo de informação em chamadas feitas por eles.

Outra tática comum é a transferência imediata de dinheiro sob pretexto de “segurança”. Golpistas costumam inventar que a sua conta foi invadida e que precisa de transferir o saldo para uma “conta segura” temporária. Isso nunca acontece no sistema bancário real.

Fique atento também ao tom de voz e à insistência. O criminoso tenta impedir que desligue o telefone para consultar um familiar ou o próprio banco. Eles pressionam para que a decisão seja tomada ali, naquele momento, sem que tenha tempo de pensar de forma racional.

Como o telemarketing legítimo se identifica

As chamadas de vendas, embora incómodas, seguem certas normas. No Brasil, por exemplo, o uso do prefixo 0303 ajuda a identificar imediatamente que se trata de uma empresa a tentar vender algo. Se o número que aparece no ecrã não tem identificação clara, a suspeita aumenta.

As empresas reais também costumam respeitar o horário comercial. Chamadas tarde da noite ou muito cedo aos fins de semana são características fortes de operações fraudulentas, que contam com o cansaço ou a confusão da vítima para obter sucesso.

Além disso, um operador de telemarketing aceita um “não” (mesmo que insista um pouco), enquanto o golpista pode tornar-se agressivo ou até ameaçador se sentir que está a perder o controlo da situação.

Tecnologias que ajudam a filtrar chamadas

Hoje em dia, os próprios smartphones possuem ferramentas integradas de proteção. Tanto o Android como o iPhone oferecem opções para silenciar automaticamente chamadas de números que não estão na sua lista de contactos, o que reduz drasticamente o risco.

Existem também aplicações especializadas que funcionam com base numa base de dados colaborativa. Quando um número é denunciado várias vezes como “golpe” ou “spam”, a aplicação avisa-o antes mesmo de atender a chamada.

  • Filtro de Spam: Ative as configurações de ID de chamada e spam nas definições do seu telemóvel.
  • Bloqueio Automático: Considere bloquear números que começam com sequências suspeitas ou de países com os quais não tem relação.
  • Consulta de Números: Sites de busca e fóruns de segurança podem ajudar a identificar a quem pertence um número insistente antes de retornar a ligação.

O que fazer se desconfiar da abordagem

Se atender uma chamada e sentir que algo está errado, a melhor atitude é desligar sem dar explicações. Não tente discutir ou “testar” o golpista, pois eles são treinados para manipular a conversa e podem extrair informações mesmo que ache que está no controlo.

Após desligar, procure o canal oficial da empresa que eles diziam representar. Use o número que está no verso do seu cartão bancário ou o site oficial da instituição. Nunca utilize números de telefone que o suposto atendente lhe tenha fornecido durante a chamada.

Lembre-se que a prevenção é o melhor caminho. Manter o seu CPF e os seus dados bancários protegidos envolve duvidar de qualquer solicitação telefónica inesperada. Com estas práticas simples, a sua vida digital torna-se muito mais segura contra as ameaças de 2026.