
Com as chuvas de janeiro, o mosquito Aedes aegypti se prolifera mais rápido; governo inicia imunização nacional por faixas etárias.
O verão de 2026 chegou acompanhado de um alerta vermelho para a saúde pública no Brasil. As altas temperaturas combinadas com as chuvas frequentes de janeiro aceleraram o ciclo de reprodução do mosquito Aedes aegypti, resultando em um aumento significativo no número de casos suspeitos de Dengue em diversas regiões do país.
Para combater esse cenário, o Ministério da Saúde deu início, nesta segunda quinzena de janeiro, à aplicação da nova vacina contra a Dengue produzida pelo Instituto Butantan. A grande vantagem deste imunizante é ser de dose única, o que facilita a cobertura vacinal em massa e garante proteção mais rápida do que os modelos anteriores, que exigiam duas ou três doses.
A estratégia de vacinação em 2026 é híbrida. Enquanto a vacina japonesa (Qdenga) continua sendo aplicada em adolescentes de 10 a 14 anos, a nova vacina nacional foca inicialmente em adultos e profissionais de saúde, com um cronograma que avança por faixas etárias conforme a disponibilidade de estoque.
Cronograma e cidades que iniciam a vacinação em janeiro
A aplicação da vacina de dose única do Butantan começa oficialmente entre os dias 17 e 18 de janeiro de 2026 em cidades-piloto selecionadas pelo critério epidemiológico. Os primeiros municípios a receber as doses são:
- Maranguape (CE): Início em 17 de janeiro.
- Nova Lima (MG): Início em 17 de janeiro.
- Botucatu (SP): Início em 18 de janeiro (com estudo de impacto populacional).
O público-alvo inicial nestas localidades compreende pessoas entre 15 e 59 anos. A orientação do Ministério da Saúde é começar pelos adultos mais velhos (próximos aos 59 anos) e descer a idade progressivamente. Moradores dessas cidades devem procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) portando documento de identidade e o cartão de vacina.
Para o restante do país, a vacinação continuará focada no público infantil e juvenil com as doses da Qdenga, enquanto a produção nacional do Butantan é escalonada para atingir mais estados ao longo do primeiro trimestre de 2026. A previsão é que 9 milhões de doses sejam distribuídas ainda este ano.
Sintomas da Dengue em 2026 e quando buscar ajuda
Os sorotipos em circulação neste verão podem causar sintomas intensos. É fundamental não ignorar os sinais do corpo, especialmente porque a Dengue pode evoluir para formas graves rapidamente se não houver hidratação adequada.
Os principais sintomas incluem febre alta repentina, dor de cabeça forte (especialmente atrás dos olhos), dores musculares e nas articulações, além de manchas avermelhadas pelo corpo. No entanto, o que realmente exige ida imediata à emergência são os chamados “sinais de alarme”.
Se você ou alguém da sua família apresentar dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de gengiva ou nariz, ou sonolência excessiva, procure uma UPA ou hospital na mesma hora. Em 2026, o protocolo de atendimento nas unidades de saúde foi reforçado para garantir a hidratação venosa imediata nesses casos.
Um erro comum é a automedicação. Medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (como Aspirina) e anti-inflamatórios (como Ibuprofeno) são terminantemente proibidos em caso de suspeita de Dengue, pois aumentam consideravelmente o risco de hemorragias. O uso deve ser restrito a paracetamol ou dipirona para controle de dor e febre, sempre sob orientação médica.
Prevenção doméstica: 80% dos focos estão nas residências
Apesar do avanço das vacinas, o Ministério da Saúde reforça que a imunização sozinha não vence a doença. Cerca de 80% dos criadouros do mosquito ainda são encontrados dentro das casas, em locais simples que acumulam água das chuvas de verão.
A recomendação para este mês de janeiro é realizar um “check-list” semanal de 10 minutos:
- Limpar calhas que possam estar obstruídas por folhas.
- Verificar pratos de vasos de plantas (usar areia até a borda).
- Manter caixas d’água e cisternas hermeticamente fechadas.
- Descartar pneus velhos ou guardá-los em locais cobertos.
O uso de repelentes também é uma barreira importante, especialmente para gestantes e idosos, que possuem maior risco de complicações. Instalar telas em janelas e usar roupas que cubram braços e pernas durante o amanhecer e o entardecer — horários de maior atividade do mosquito — são medidas eficazes para evitar a picada.
O combate à Dengue em 2026 é uma tarefa coletiva. Com a chegada da vacina nacional e a conscientização da população sobre os focos de água parada, o objetivo é reduzir drasticamente o número de óbitos e internações graves neste ano. Mantenha seu cartão de vacina atualizado e colabore com os agentes de saúde em sua cidade.
