
O ano de 2026 começa com uma atualização fundamental para o planejamento financeiro de milhões de brasileiros.
O novo salário mínimo oficial, em vigor desde 1º de janeiro, foi fixado em R$ 1.621,00, conforme estabelecido pelo Decreto nº 12.797/2025.
Este reajuste de 6,79% em relação ao ano anterior não impacta apenas os trabalhadores da ativa, mas define o novo piso para aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada). O aumento reflete a política de valorização do mínimo, que combina a variação da inflação (INPC) com o crescimento do PIB.
Para os segurados do INSS, a mudança traz dois cenários distintos: enquanto quem recebe o piso acompanha o valor de R$ 1.621, os aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo terão um reajuste de 3,9%, baseado estritamente na inflação acumulada no último ano.
Com essa correção, o teto dos benefícios da Previdência Social — o valor máximo que o INSS pode pagar — sobe para R$ 8.475,55. Acompanhar essas datas e valores é o primeiro passo para organizar as contas domésticas e garantir que os direitos previdenciários estejam sendo respeitados.
Tabela de pagamentos do INSS em janeiro de 2026
O calendário de depósitos para o primeiro mês do ano já foi divulgado e segue a lógica do número final do NIS (Número de Identificação Social), desconsiderando o dígito verificador após o traço. Os pagamentos são divididos em dois grupos: quem recebe um salário mínimo e quem recebe acima desse valor.
Beneficiários de até 1 salário mínimo (R$ 1.621)
| Final do NIS | Data do Pagamento |
| Final 1 | 26 de janeiro |
| Final 2 | 27 de janeiro |
| Final 3 | 28 de janeiro |
| Final 4 | 29 de janeiro |
| Final 5 | 30 de janeiro |
| Final 6 | 02 de fevereiro |
| Final 7 | 03 de fevereiro |
| Final 8 | 04 de fevereiro |
| Final 9 | 05 de fevereiro |
| Final 0 | 06 de fevereiro |
Beneficiários acima de 1 salário mínimo (até R$ 8.475,55)
Para este grupo, os depósitos ocorrem de forma agrupada na primeira semana de fevereiro:
- Finais 1 e 6: 02 de fevereiro
- Finais 2 e 7: 03 de fevereiro
- Finais 3 e 8: 04 de fevereiro
- Finais 4 e 9: 05 de fevereiro
- Finais 5 e 0: 06 de fevereiro
O impacto para quem ganha acima do mínimo
Diferente do piso salarial, que conta com ganho real (acima da inflação), os benefícios maiores são corrigidos apenas pelo INPC. Em 2026, o índice oficial fechou em 3,9%. É importante notar que este percentual integral vale para quem já recebia o benefício em janeiro de 2025.
Quem passou a ser aposentado ou pensionista ao longo do ano passado terá um reajuste proporcional, dependendo do mês de início da concessão. Por exemplo, quem começou a receber em junho de 2025 terá uma correção menor, já que não acumulou a inflação do ano inteiro.
Essa diferenciação entre o reajuste do mínimo e o reajuste do teto é um ponto de atenção constante para os segurados, pois, ao longo dos anos, faz com que o valor de muitas aposentadorias se aproxime gradualmente do piso nacional.
Para conferir o valor exato que cairá na conta, o segurado pode acessar o extrato de pagamento pelo aplicativo ou site Meu INSS. O documento detalha o valor bruto, os descontos (como imposto de renda ou empréstimo consignado) e o valor líquido disponível para saque.
Novas alíquotas de contribuição para trabalhadores ativos
O novo salário mínimo também altera a tabela de descontos do INSS para quem trabalha com carteira assinada, empregados domésticos e trabalhadores avulsos. Como as alíquotas são progressivas, o trabalhador paga apenas sobre a faixa de renda correspondente.
A partir de janeiro de 2026, as faixas de contribuição são:
- Até R$ 1.621,00: 7,5%
- De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84: 9%
- De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27: 12%
- De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55: 14%
Isso significa que o desconto no contracheque será atualizado na folha de pagamento de janeiro, paga em fevereiro. O trabalhador que recebe exatamente o mínimo terá um desconto previdenciário de R$ 121,57.
Para os empregadores domésticos, o reajuste também exige atenção no sistema eSocial. É obrigatório atualizar o salário contratual para o novo piso de R$ 1.621,00 caso o funcionário receba o mínimo nacional, garantindo assim o recolhimento correto de encargos e o tempo de contribuição para a futura aposentadoria do trabalhador.
O que muda para o BPC e outros auxílios
O Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) é diretamente vinculado ao salário mínimo. Portanto, todos os idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda que recebem o auxílio passarão a sacar R$ 1.621,00 já no próximo pagamento.
Outro benefício impactado é o PIS/Pasep. O abono salarial de 2026 (referente ao ano-base 2024) terá como teto o novo valor do mínimo. O trabalhador recebe proporcionalmente aos meses trabalhados no ano de referência, chegando ao valor total se tiver trabalhado os 12 meses.
O Seguro-Desemprego também tem suas faixas atualizadas. O valor mínimo do seguro não pode ser inferior ao salário mínimo vigente, garantindo que o trabalhador desempregado tenha ao menos o piso nacional para subsistência enquanto busca uma recolocação no mercado.
Em resumo, o reajuste de 2026 busca equilibrar a manutenção do poder de compra com o crescimento econômico do país. Para o cidadão, o momento é de conferir os extratos, atualizar cadastros e planejar os gastos do primeiro trimestre com base nos novos números da economia brasileira.
