
As negociações para a reabertura das embaixadas da Venezuela e dos Estados Unidos começaram oficialmente na última sexta-feira (9). O governo venezuelano informou que recebeu uma delegação do Departamento de Estado dos EUA para discutir “avaliações técnicas e logísticas” necessárias para reiniciar a diplomacia entre os dois países.
O principal objetivo dessas discussões é reabrir a embaixada dos Estados Unidos em Caracas e permitir que a representação diplomática da Venezuela funcione novamente em Washington. Desde 2019, quando o presidente venezuelano Nicolás Maduro rompeu relações com o governo americano, os espaços diplomáticos estão fechados. O rompimento ocorreu após o governo do ex-presidente Donald Trump reconhecer o opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.
Um vídeo que circulou nas redes sociais nesta sexta-feira mostrou uma delegação americana entrando no prédio da embaixada em Caracas, que ocupa uma área de aproximadamente 110 mil metros quadrados no bairro Colinas de Valle Arriba. Desde o fechamento, funcionários dos EUA têm permanecido no local para manter a estrutura.
O governo venezuelano, em uma nota, também comentou sobre um ataque considerado “agressão criminosa” ocorrido no último sábado (3), que resultou na morte de mais de 100 pessoas, entre civis e militares, e que envolveu sequestros, incluindo do próprio Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.
Recentemente, Trump expressou o desejo de retomar as relações diplomáticas com a Venezuela, destacando a importância da cooperação comercial entre os dois países. Um dos representantes que viajou para Caracas é John McNamara, encarregado de negócios dos EUA na Colômbia, que já havia iniciado diálogos com o governo venezuelano em agosto.
Para a possível reabertura da embaixada, o nome mais cotado para assumir o cargo é o de Richard Grenell, um enviado especial que esteve em Caracas anteriormente para discutir questões de repatriação de venezuelanos.
Após o rompimento das relações em 2019, Maduro ordenou a saída do corpo diplomático americano da Venezuela, enquanto o então secretário de Estado, Mike Pompeo, exigiu a retirada dos diplomatas venezuelanos de Washington. Na época, Guaidó, que havia se autoproclamado presidente, assumiu o controle da embaixada venezuelana com o apoio do governo Trump. Essa ocupação gerou reações de movimentos anti-imperialistas nos EUA, como a organização Code Pink, que protestou em defesa da soberania do governo de Maduro.
Além das negociações diplomáticas, Trump também anunciou que se reunirá com representantes de empresas de petróleo para discutir a exploração na Venezuela. Segundo ele, as empresas interessadas não estão pedindo dinheiro, mas sim querem mudar as condições no país para retomar os investimentos. Empresas como Repsol, Chevron, Exxon e outras participarão dessas conversas. Trump afirmou que planeja investir cerca de US$ 100 bilhões na indústria petrolífera venezuelana, embora não tenha detalhado como isso será realizado.
Após o sequestro de Maduro, Trump afirmou que seu interesse na Venezuela se concentra no setor petrolífero, buscando retomar o que considera ser um “bem americano” em território venezuelano. O republicano também anunciou que se reunirá com María Corina Machado, uma ex-deputada de extrema direita, que havia previamente sido considerada sem apoio suficiente para governar o país.
Durante o mesmo período, a presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, revelou ter conversado por telefone com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, além de seus colegas da Colômbia e da Espanha. Na conversa, Delcy agradeceu o apoio e reforçou a abertura para diálogos em busca de soluções para as questões que afligem a Venezuela.
Ela também mencionou a necessidade de uma agenda de cooperação bilateral, centrada no respeito ao Direito Internacional e nos direitos dos Estados soberanos.
Por fim, após os ataques dos EUA, o aeroporto internacional de Maiquetía, que atende a Caracas, está começando a reestabelecer suas conexões com o exterior. A Copa Airlines já anunciou que retomará voos diários entre o Panamá e a Venezuela a partir de 13 de janeiro, com tarifas começando em cerca de US$ 625 (aproximadamente R$ 3.357) para passagens de ida e volta.

