Eleições 2026: 8 de janeiro será tema restrito, dizem especialistas

Na quinta-feira, dia 8, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma cerimônia no Palácio do Planalto para lembrar os três anos da invasão aos prédios dos Três Poderes em Brasília, ocorrida em 2023. Nesse dia, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e destruíram instalações públicas, reclamando por um golpe de Estado.

O impacto deste evento nas eleições presidenciais deste ano deve ser abordado de formas diferentes pelos candidatos. Os candidatos da esquerda devem usá-lo como símbolo da defesa da democracia, enquanto aqueles da direita poderão retratar a situação como uma perseguição política, especialmente à luz das condenações dos envolvidos na tentativa de golpe.

Entretanto, a discussão sobre o episódio não deve dominar as campanhas eleitorais. Especialistas apontam que o interesse pelo tema diminuiu e outras questões, como economia e segurança, deverão ser mais relevantes para os eleitores. Marcelo Vitorino, consultor de marketing político, ressalta que as preocupações em torno de emprego, inflação e segurança são mais prementes e moldam o voto. De acordo com uma pesquisa realizada em dezembro, 64,7% das pessoas citaram a corrupção como a maior preocupação do país, seguida pela criminalidade, que preocupou 61% dos entrevistados.

Vitorino observa que o assunto do 8 de janeiro tende a engajar apenas grupos mais politizados e pode não ter apelo para a maioria dos eleitores que não acompanhou os eventos com profundidade. Para muitos, o episódio é visto como uma disputa entre lados que não representam seus interesses. A intensidade com que o tema será explorado nas campanhas dependerá da situação econômica; se houver resultados negativos, o assunto do golpe poderá ser utilizado como estratégia de discurso.

Leonardo Martins Barbosa, especialista em Ciência Política, também acredita que a narrativa em torno da proteção da democracia não será tão central nas próximas eleições. Ele destaca que, mesmo que a coalizão que se formou em 2022, em resposta ao bolsonarismo, tenha sido eficaz, a situação atual, com as condenações de Bolsonaro e de oficiais militares, gera incertezas sobre sua continuidade nas próximas disputas eleitorais.

Além disso, novas questões estão começando a ganhar destaque no debate público, como a defesa da soberania nacional e críticas ao alinhamento internacional do bolsonarismo. Barbosa prevê que as ações de Eduardo Bolsonaro, ligadas a alianças contrárias ao país, poderão se tornar um tópico relevante.

No campo da direita, a situação é complexa. Existe uma tensão entre os segmentos que defendem o bolsonarismo e aqueles que buscam construir uma candidatura de oposição sem o radicalismo da figura de Bolsonaro. Apesar de tentativas de manter a família Bolsonaro no jogo político, como apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro, a direita ainda enfrenta o desafio de agradar um eleitorado mais amplo.

A estratégia de se distanciar de uma imagem radical e focar em propostas concretas está sendo cogitada. Identificar o que realmente importa para os eleitores – como preços e segurança – pode ajudar a direita a se reposicionar politicamente, segundo especialistas.

Um ponto importante que conecta os eventos de 8 de janeiro às eleições é a disseminação de desinformação. O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm implementado medidas para combater esse problema, visando proteger a integridade do processo eleitoral de 2026.

O STF lançou um programa de combate à desinformação que busca entender e reduzir sua disseminação, além de recuperar a confiança da sociedade. A partir de julgamentos recentes, foram definidas obrigações para plataformas digitais, que agora têm a responsabilidade de agir preventivamente em relação a conteúdos ilícitos.

O TSE também tomou iniciativas como a aprovação de normas que regulamentam o uso de inteligência artificial nas campanhas, proibindo práticas desleais, como o uso de deepfakes. Para garantir a transparência, conteúdos que utilizarem inteligência artificial deverão ser identificados, e plataformas digitais precisam retirar imediatamente conteúdos antidemocráticos.

Finalmente, a população terá um papel ativo na denúncia de desinformação, por meio de um sistema que permitirá relatórios e alertas sobre informações prejudiciais ao processo eleitoral e à segurança das instituições envolvidas.