Celac debate situação da Venezuela neste domingo (4)

Uma reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) está marcada para este domingo (4). O objetivo é discutir a atual situação da Venezuela, em resposta ao ataque militar realizado pelos Estados Unidos. A informação foi divulgada pela ministra interina de Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, após uma reunião do governo brasileiro sobre o tema.

O ministro Mauro Vieira, que estava de férias, participará do encontro por videoconferência. Ele retornou ao Brasil em razão da invasão militar à Venezuela, que já é assunto de grave preocupação na diplomacia brasileira.

A Celac, que conta com 33 países membros, é um espaço de diálogo exclusivo para nações em desenvolvimento do continente americano, permitindo discussões sobre questões regionais.

Posição do Brasil

Maria Laura da Rocha reafirmou que o Brasil condena a ação militar dos Estados Unidos e exige uma resposta firme da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa postura reflete as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também se manifestou contra a invasão.

A ministra enfatizou que o Brasil continua a defender o respeito ao direito internacional, condenando qualquer forma de intervenção militar que comprometa a soberania dos países. Neste momento, o Brasil reconhece a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, como a chefe de Estado interina, na ausência do presidente Nicolás Maduro.

Na segunda-feira (5), o governo brasileiro participará de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, que foi convocada para discutir a invasão estadunidense e o sequestro do presidente Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Essa reunião foi solicitada pela Colômbia e conta com o apoio de Rússia e China.

Reações do presidente Lula

O presidente Lula manifestou sua indignação em relação aos ataques dos Estados Unidos à Venezuela, descrevendo-os como uma "afronta gravíssima à soberania" da nação vizinha. Ele alertou que essas ações representam um "precedente extremamente perigoso" e que o uso da força pode levar a um aumento da violência e da instabilidade global.

Lula destacou que a posição do Brasil é de rechaço a ações militares unilaterais, mencionando que essa postura tem sido consistente em diversos conflitos ao redor do mundo. Ele comparou a ofensiva dos EUA a momentos críticos da história da interferência nas políticas da América Latina, ressaltando a importância de preservar a região como um espaço de paz.

Contexto do Ataque

Na madrugada de sábado (3), os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva militar na Venezuela, acionando alvos civis e militares em Caracas e em outras localidades. Essa ação resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. De acordo com informações, Maduro foi levado até os Estados Unidos, onde está detido no Metropolitan Detention Center, em Nova York.

Frente a essa situação, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou um estado de comoção no país e convocou mobilizações a favor da soberania nacional. Durante uma coletiva de imprensa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o objetivo do governo americano é administrar a Venezuela até que haja uma "transição democrática". Ele também se referiu ao sequestro de Maduro como um "ataque extraordinário" e expressou o desejo de controlar o petróleo venezuelano, afirmando que o recurso foi "roubado" dos Estados Unidos e será entregue a uma empresa americana.