
A greve nacional dos petroleiros começou na meia-noite de segunda-feira (15) e teve grande adesão nas bases da Petrobras em várias regiões do país, conforme informações da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Desde o início do dia, trabalhadores de plataformas e refinarias paralisaram suas atividades em um protesto contra a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para 2025–2026 apresentada pela empresa, a qual a categoria considera insatisfatória.
O primeiro dia de greve também foi marcado por uma polêmica no Rio de Janeiro, onde denunciou-se a atuação da Polícia Militar. Durante uma mobilização em frente à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), dois dirigentes do Sindicato dos Petroleiros de Caxias foram detidos. Segundo testemunhas, os sindicalistas foram reprimidos enquanto tentavam dialogar com os trabalhadores sobre a greve. Ambos foram liberados horas depois, após passar por exame de corpo de delito.
Eduardo Henrique Soares da Costa, diretor do Sindipetro RJ, classificou a abordagem policial como inaceitável, responsabilizando a Petrobras pela presença da polícia, afirmando que a PM atua somente quando é chamada pela empresa. Os sindicalistas afirmam que houve violência durante a detenção.
A mobilização dos petroleiros critica a distribuição de lucros bilionários aos acionistas da Petrobras. Só no terceiro trimestre deste ano, a empresa aprovou R$ 12,16 bilhões em remuneração aos acionistas, a ser paga em parcelas em 2026. Essa distribuição de lucros é vista como prioritária em detrimento dos direitos dos trabalhadores e melhorias nas condições de trabalho.
A greve teve forte apoio nas assembleias, com uma adesão maior do que em greves anteriores, como a de 2020. Setores que geralmente não participam de mobilizações também se juntaram ao movimento, sinalizando um crescente descontentamento com a gestão da estatal. A atual administração, liderada por Magda Chambriard, é criticada por priorizar lucros para acionistas em vez de atender às demandas dos trabalhadores.
Além da greve, aposentados e pensionistas estão em vigília em frente ao edifício-sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, protestando contra os planos de equacionamento da Petros, que têm causado perdas financeiras significativas.
As principais reivindicações dos petroleiros incluem um ACT com validade de um ano, melhorias nas condições de trabalho e a valorização dos aposentados. A lista de demandas também inclui a criação de uma tabela salarial unificada, reajuste na tabela de hora extra, e o fim da terceirização, entre outros pontos.
A Petrobras, em resposta aos protestos, afirmou que está ciente das mobilizações, mas garantiu que a produção de petróleo e derivados não está sendo afetada. A empresa disse ter implementado medidas para assegurar a continuidade das operações e que respeita o direito de manifestação de seus funcionários.
O Ministério de Minas e Energia também foi contatado, mas até o momento não se manifestou sobre a situação.

