Pessoas jogando vôlei em uma quadra de areia

Regras do vôlei: pontuação, rodízio, líbero e faltas

Na educação física da escola, o vôlei costuma ser ensinado com um detalhe fora do lugar: alguém grita “dois toques!” quando a bola bate nos braços de um colega na recepção do saque. Em muitos casos, esse lance é legal. O vôlei tem regras que parecem simples, mas algumas delas surpreendem até quem assiste aos jogos da seleção há anos.

A melhor forma de entendê-lo é acompanhar um ponto, do apito do saque até a bola no chão, e explicar cada regra no momento em que ela aparece. As normas seguem o padrão da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), usado nas competições oficiais de quadra. Em torneios amadores e escolares, podem surgir adaptações.

A quadra e as equipes

A quadra mede 18 metros de comprimento por 9 de largura, dividida ao meio por uma rede. Sua altura oficial é de 2,43 metros para homens e 2,24 metros para mulheres. Cada lado tem uma linha de ataque a 3 metros da rede, que separa a zona de ataque da zona de defesa. Na parte de cima das laterais, duas antenas delimitam o espaço por onde a bola deve passar.

Cada equipe entra com seis jogadores: três à frente e três atrás. Um deles, de uniforme diferente, pode ser o líbero. Mais adiante, falaremos sobre a função dele.

Como funciona a pontuação

O vôlei usa o sistema de ponto por rali: toda jogada termina em ponto para uma das equipes, independentemente de quem sacou. A equipe que vence o rali faz o ponto e saca no próximo lance.

A partida é disputada em melhor de cinco sets. Vence quem ganhar três. Cada um dos quatro primeiros sets vai até 25 pontos, com diferença mínima de dois. Assim, um placar de 24 a 24 pode continuar até 26 a 24, 31 a 29 ou o que for necessário. Se a partida empata em 2 a 2, o quinto set, o tie-break, vai a 15 pontos, também com diferença de dois. Nele, as equipes trocam de lado quando alguém chega a 8 pontos.

Assim, os placares possíveis são 3 a 0, 3 a 1 e 3 a 2. Em ligas com fase de classificação, os pontos na tabela podem variar conforme o placar final, de acordo com o regulamento de cada torneio.

O saque

Um rali começa com o saque, batido pelo jogador na posição 1, o canto direito da zona de defesa. Depois do apito, ele tem até 8 segundos para colocar a bola em jogo. Ele pode sacar de qualquer ponto atrás da linha de fundo, sem pisar nela no momento do toque, e aterrissar dentro da quadra depois. A bola deve ser lançada ou soltada e atingida com uma das mãos ou com o braço.

Se o saque tocar na rede e passar para o outro lado, está valendo. Essa é outra mudança que muita gente ainda não conhece: durante muito tempo, isso não era permitido.

Enquanto o saque é executado, os companheiros não podem formar uma “barreira” para esconder o sacador ou a trajetória da bola. Isso é chamado de cortina, e é falta.

Os três toques

Cada equipe tem até três toques para devolver a bola: geralmente, recepção, levantamento e ataque. Um mesmo jogador não pode tocar duas vezes seguidas, com uma exceção importante. O bloqueio não conta como um dos três toques. Assim, depois de bloquear, o mesmo atleta pode dar o primeiro toque da sua equipe.

A bola pode tocar qualquer parte do corpo, incluindo os pés. Sim, é permitido defender com o pé. O que não pode é retê-la ou conduzi-la: o toque precisa ser claro, sem segurar. É aí que entra a questão dos “dois toques”:

  • No primeiro toque da equipe, a bola pode tocar várias partes do corpo em sequência, desde que seja uma única ação. Por isso, uma recepção ou defesa com contato duplo não é falta.
  • No levantamento e demais toques, contatos sucessivos em partes diferentes são falta. Um levantador que toca a bola em tempos diferentes com as duas mãos comete dois toques.

Rede, linha e invasão

Tocar a rede entre as antenas durante a ação de jogar a bola é falta. Um toque casual, sem interferir no lance, não é punido. Um exemplo: se a rede bate no jogador porque a bola foi nela, isso não é falta.

Por baixo da rede, invadir é permitido em parte. Passar a linha central com o pé é falta somente se o pé inteiro ultrapassar a linha. Um pedaço do pé pode tocar a quadra adversária, contanto que parte dele esteja sobre a linha ou acima dela. O mesmo vale para a mão. Além disso, o jogador pode invadir a zona livre do adversário, desde que não atrapalhe a jogada.

Em uma bola sobre a rede, passar a mão para o outro lado é permitido no bloqueio, desde que não interfira no ataque adversário antes da hora. Depois do ataque, a mão pode acompanhar o movimento após o toque.

Dentro ou fora

A bola é dentro quando toca a quadra, incluindo as linhas. Um centímetro na linha é ponto. É fora quando cai além das linhas, toca as antenas, o teto, ou um objeto externo, ou passa por fora do espaço entre as antenas.

Em campeonatos de maior nível, uma equipe pode pedir a revisão por vídeo nos lances em disputa. Um dos pedidos mais frequentes é verificar se o bloqueio tocou a bola antes de ela sair. Se tocou, o ponto é de quem atacou.

O rodízio

Quando uma equipe que estava recebendo vence o rali, ela ganha o direito de sacar, e os seis jogadores giram uma posição no sentido horário. Quem estava na frente, à direita, vai para o saque. Essa regra garante que todos passem pela frente e por trás da quadra.

Antes de cada saque, os atletas devem estar em suas posições relativas: por exemplo, quem joga na frente tem de estar mais perto da rede do que seu correspondente de trás. Assim que a bola é sacada, todos podem se mover livremente. Por isso, o torcedor vê todo mundo correndo para sua posição especializada. Se a formação estiver errada no momento do saque, a equipe comete falta de posição e perde o ponto.

Quem está na zona de defesa tem limitações. Não pode bloquear e não pode atacar acima da rede de dentro da zona de ataque. Ele pode atacar da zona de defesa, desde que salte de trás da linha dos 3 metros. É o famoso ataque de fundo.

O líbero

O líbero é um especialista em defesa e recepção, com camisa de cor diferente. Ele entra e sai no lugar de um jogador do fundo quantas vezes for preciso, sem que isso conte como substituição. Em compensação, tem várias restrições:

  • Atua somente na zona de defesa.
  • Não pode sacar, bloquear ou tentar bloquear.
  • Não pode atacar quando a bola está totalmente acima da borda superior da rede.
  • Se fizer um levantamento de toque com os dedos estando na zona de ataque, seus companheiros não podem atacar essa bola acima da rede.

Um time pode registrar até dois líberos na lista da partida, com apenas um em quadra de cada vez.

Substituições e tempos

Cada equipe tem direito a até seis substituições por set. A regra tem um detalhe: se um titular sai, ele só pode voltar no lugar do mesmo jogador que entrou para substituí-lo, e na mesma posição do rodízio. Cada equipe também pode fazer até dois pedidos de tempo por set, de 30 segundos cada.

Faltas mais frequentes no jogo amador

Algumas infrações aparecem o tempo todo em quadras de escola, praça e clube:

  • Quatro toques: a equipe devolve a bola com mais de três contatos.
  • Condução: a bola fica presa na mão, acompanhando o movimento.
  • Pé na linha do saque: o sacador pisa na linha ao bater na bola.
  • Toque na rede: comum em ataques e bloqueios.
  • Atacante do fundo: jogador do fundo que salta da zona de ataque para bater na bola.
  • Saque fora de rodízio: alguém saca fora da sua vez, por distração.

Como muda no vôlei de praia

O vôlei de praia tem outra lógica. As duplas jogam em quadra de 16 por 8 metros, sem líbero nem rodízio de posições. Os jogos são em melhor de três sets: os dois primeiros vão a 21 pontos, e o terceiro a 15, sempre com dois de diferença. No bloqueio, o toque conta como um dos três. E os atletas podem usar sinais com as mãos, atrás das costas, para combinar a jogada. E a largada com a ponta dos dedos, tão comum na quadra, é falta na areia.