Falta de sanitários no Metrô-DF afeta trabalhadores em Brasília

A falta de banheiros públicos nas estações do Metrô do Distrito Federal tem se tornado um problema significativo para muitos passageiros. Apenas três das 27 estações em funcionamento na capital dispõem de sanitários abertos ao público: 102 Sul, 112 Sul e 114 Sul, todas localizadas no centro de Brasília. A estação 110 Sul possui um banheiro, mas está desativado. As demais estações oferecem apenas banheiros voltados para o uso de funcionários.

Diariamente, o Metrô-DF transporta mais de 160 mil pessoas, principalmente trabalhadores que viajam de regiões periféricas como Ceilândia, Samambaia e Taguatinga em direção ao Plano Piloto, onde se concentram as oportunidades de emprego e serviços. Em 2024, o sistema registrou cerca de 42,5 milhões de passageiros, com um fluxo médio de 3,5 milhões por mês e entre 160 mil e 180 mil usuários em dias úteis.

Historicamente, Brasília foi planejada para oferecer infraestrutura no Plano Piloto, enquanto a maioria dos trabalhadores reside em áreas mais distantes. Isso resulta em longas viagens e a ausência de banheiros ao longo do trajeto, causando desconforto.

Para os usuários diários, a falta de banheiros é fonte de inconvenientes e nervosismo. William Oliveira, de 24 anos, que trabalha no Setor Comercial Sul e mora em Taguatinga, comenta que a situação é insatisfatória, especialmente considerando a necessidade básica de um banheiro. Ele critica as prioridades do governo, que, segundo ele, investe em projetos menos essenciais em vez de atender a essa demanda.

A ausência de banheiros públicos afeta ainda mais grupos vulneráveis, como idosos, gestantes e pessoas com problemas de saúde. Vera Lúcia, de 59 anos, usuária frequente do metrô, relata que já passou por momentos difíceis por não encontrar um banheiro quando precisava. Ela mesmo foi impedida de usar o banheiro reservado aos funcionários devido à sua condição de saúde.

Funcionários do Metrô também reconhecem as deficiências do sistema. Um. que preferiu não se identificar, afirmou que a falta de adequação na construção das estações compromete a experiência dos usuários.

O Sindicato dos Metroviários do DF aponta que a escassez de sanitários está ligada à falta de investimentos e ao número reduzido de funcionários. Neiva Lopes, diretora do sindicato, menciona que a espera por trens é longa, algo que agrava a necessidade de banheiros, especialmente para os usuários que lidam com saúde debilitada. Ela destaca que, embora existam banheiros para funcionários, o acesso a eles é muito complicado, demandando a presença de um funcionário que muitas vezes não está disponível.

Neiva sugere que a situação precária é parte de uma estratégia de sucateamento do Metrô, com o objetivo de privatizá-lo. Ela ressalta as más condições enfrentadas pelos usuários, como os trens superlotados e falhas frequentes. Para ela, melhorias na manutenção e contratação de mais funcionários poderiam resolver muitos dos problemas atuais.

Em resposta à crítica, o deputado distrital Max Maciel (PSOL-DF) defende a instalação de banheiros públicos em todas as estações de metrô. Segundo ele, outros estados já implementaram essa medida, e acredita que pode ser realizada no Distrito Federal. Ele destaca que a proposta de lei, que já está em tramitação, demonstra um apelo popular por mais conforto e segurança para os usuários do metrô.

Por sua vez, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal alega que a falta de banheiros se deve a questões de segurança e que as estações são, principalmente, terminais de embarque onde os usuários permanecem por pouco tempo. A empresa afirma que, em caso de necessidade, os funcionários podem ajudar os passageiros a acessar os banheiros internos.

No entanto, os usuários do metrô contestam essa justificativa, afirmando que a espera por trens é frequentemente longa, e a disponibilidade de funcionários não é garantida, tornando o acesso ao banheiro um desafio.