Paridade de importação irá influenciar preços do trigo no Brasil

Mercado de Trigo Passa por Mudança com Preços Abaixo da Expectativa

A produção nacional de trigo no Brasil alcançou cerca de 8 milhões de toneladas, enquanto a demanda total é de aproximadamente 13 milhões de toneladas. Esse cenário faz com que o mercado interno opere com preços inferiores aos valores de importação, levando a uma situação de transição para o trigo brasileiro.

Atualmente, os moinhos estão temporariamente abastecidos e com estoques confortáveis, muitos até março ou início de abril. Essa situação é resultado de compras antecipadas, especialmente da Argentina, o que diminuiu a necessidade de novas aquisições. Entretanto, alguns produtores estão negociando volumes para liberar espaço em seus armazéns para a nova safra de verão, aumentando assim a oferta disponível no mercado.

Élcio Bento, analista do setor, observa que o enfraquecimento dos preços se deve a uma combinação de uma demanda fraca e uma oferta que, embora limitada, é suficiente para suprir o mercado no momento. Ele acredita que existe espaço para recuperação nos preços assim que a demanda voltar a crescer. Os preços internos estão atualmente aquém das cotações internacionais, e é a “paridade de importação” que determina os preços no Brasil. Em um país que depende das importações devido à sua produção insuficiente, esse balizador é fundamental.

A expectativa é de que a recuperação nos preços comece com um aumento nas compras pelos moinhos, previsto para ocorrer a partir da segunda quinzena de março ou início de abril. Neste período, o comportamento das cotações pode mudar, principalmente em função do câmbio e do mercado internacional. Por exemplo, o dólar tem flutuado abaixo de R$ 5,20, e uma safra global recorde pode pressionar os preços internacionais. Se o câmbio oscilar ou se os preços no exterior subirem, isso poderá refletir positivamente nos valores do trigo no Brasil.

Para esses próximos meses, o produtor rural deve se atentar a três pontos principais: a oscilação do dólar, as cotações internacionais e o ritmo de compras dos moinhos. Se os preços internos continuarem em um patamar abaixo da paridade de importação, é esperado um ajuste para cima durante a entressafra. Estruturas comerciais como vendas escalonadas e atenção às oportunidades de mercado podem os ajudar a aproveitar possíveis altas.

Além disso, manter uma comunicação fluida com cooperativas, tradings e moinhos ajudará a entender a demanda regional, especialmente em um ano marcado por incertezas sobre a qualidade do trigo importado. Em resumo, o monitoramento e o planejamento serão essenciais, já que as condições do câmbio e do mercado externo influenciarão claramente a rentabilidade do trigo no país nos próximos anos.

Resumo

  • Pressão sobre os Preços: Os preços internos do trigo estão baixos devido a estoques rigorosos dos moinhos e uma oferta temporária alta no mercado. Apesar disso, o preço atual ainda está abaixo da paridade de importação, indicando potencial valorização futura.

  • Déficit de Produção: O Brasil enfrenta um déficit na produção de trigo, necessitando importar para atender a demanda. Isso implica que os preços internos tendem a ajustar-se às cotações internacionais e ao câmbio.

  • Fatores Decisivos: A recuperação nos preços deve ocorrer entre o final de março e o começo de abril, conforme moinhos voltem a comprar. Os produtores devem monitorar cuidadosamente o dólar e o mercado internacional para se antecipar a possíveis variações nos preços.