Turismo em alta destaca ‘soft power’ do Brasil, diz Embratur

Em 2025, o Brasil registrou um recorde de 9,3 milhões de turistas internacionais, um aumento de 37% em relação ao ano anterior, segundo dados da ONU. Esse crescimento supera em quase dez vezes a média global de aumento no fluxo turístico.

Marcelo Freixo, presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), comentou que esse resultado reflete um país que recuperou respeitabilidade no cenário mundial. Segundo ele, o Brasil se firmou como um aliado na luta por um planeta mais sustentável e uma democracia ativa, fatores que atraem turistas do exterior.

O interesse dos visitantes internacionais tem mudado, priorizando experiências que respeitem as comunidades e o meio ambiente. Os turistas não buscam apenas beleza natural, mas querem saber se os locais que visitam estão sendo preservados e se as comunidades locais se beneficiam de sua presença.

A estratégia da Embratur para alcançar esse crescimento inclui uma análise cuidadosa do mercado, diversificação de destinos turísticos e aumento da conectividade aérea internacional. Freixo destaca que a sustentabilidade está diretamente ligada à justiça social, mencionando programas de turismo em comunidades quilombolas, indígenas e favelas como exemplos de práticas que têm dado certo.

Marcelo Freixo tem uma trajetória política significativa. Professor de História e oriundo de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Freixo foi deputado estadual e já disputou a prefeitura do Rio e o governo do estado em diversas ocasiões.

Freixo explica que a Embratur teve um papel crucial nessa ascensão, focando em uma promoção turística mais direcionada. Essa abordagem ajudou a aumentar a diversidade de destinos visitados por estrageiros e a ampliar a oferta de voos internacionais, resultando em um recorde de conectividade aérea.

O impacto do turismo é significativo para a economia, representando cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e gerando 8,2 milhões de empregos. Freixo ressalta que a promoção do turismo é também uma forma de desenvolvimento inclusivo.

No que diz respeito à ética e valores sociais, Freixo acredita que o Brasil destaca a importância de um turismo que valorize a justiça social. Experiências em comunidades ribeirinhas e áreas socioeconômicas desfavorecidas mostram que o turismo pode ajudar a combater desigualdades e valorizar a cultura local.

Recentemente, o Brasil participou da Feira Internacional de Turismo (FITUR), realizada em Madri, onde reafirmou sua presença no mercado europeu, que representa mais de 21% dos turistas que visitam o país. Durante o evento, a Embratur trouxe um estande que refletia a diversidade brasileira e firmou parcerias para aumentar a visibilidade de novos destinos.

Às vésperas do Carnaval, a Embratur, em colaboração com a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), anunciou um apoio de R$ 12 milhões ao desfile das escolas do Grupo Especial. Este investimento é visto como estratégico e com retorno positivo, dado o alcance global da festa, que atrai atenção de milhões de pessoas em mais de 160 países.

Espera-se um crescimento de quase 10% na movimentação econômica referente ao Carnaval em 2026, gerando mais de R$ 5,7 bilhões e criando dezenas de milhares de empregos temporários. O apoio ao Carnaval também valoriza as comunidades envolvidas nas escolas de samba, que são fundamentais para a inclusão e geração de renda ao longo do ano. O evento se tornou uma vitrine cultural do Brasil, atraindo turistas para testemunhar a riqueza e a diversidade cultural do país.