Foto histórica de pessoas praticando primeiros socorros em um voluntário deitado

Primeiros socorros básicos em casa: o que fazer até o SAMU chegar

Uma criança queima a mão na panela e alguém corre para buscar pasta de dente. Um idoso cai no banheiro e a família tenta levantá-lo depressa. Uma pessoa tem uma convulsão e alguém tenta segurar a língua dela. São três gestos comuns, e os três estão errados.

Em casa, o que mais ajuda nos primeiros minutos é saber o que fazer, e também o que não fazer. Este texto não substitui um curso de primeiros socorros, que vale muito a pena para quem pode fazê-lo, mas reúne as orientações gerais mais consolidadas para as situações domésticas mais frequentes.

Antes de tudo: três passos

Em qualquer emergência, a ordem é a mesma:

  • Veja se o local é seguro. Não entre em um cômodo com cheiro de gás, não toque em alguém que ainda está em contato com a eletricidade. Quem socorre não pode virar a segunda vítima.
  • Peça ajuda. Ligue para o SAMU, no 192, ou para os Bombeiros, no 193. A ligação é gratuita e pode ser feita de qualquer telefone.
  • Fique com a pessoa. Mantenha a calma, converse e siga as orientações do atendente.

Como falar com o 192

O atendente faz perguntas para decidir qual tipo de socorro enviar, e isso não atrasa a chegada da ambulância. Tenha em mente:

  • endereço completo, com ponto de referência
  • o que aconteceu e há quanto tempo
  • idade aproximada da pessoa
  • se ela está acordada e respirando
  • doenças e medicamentos que você conheça

Não desligue antes de ser orientado. Coloque o telefone no viva-voz, se possível, para ficar com as mãos livres. Peça a alguém para abrir o portão, prender animais e esperar a ambulância na rua.

Parada cardíaca: cada minuto conta

Se a pessoa não responde e não respira normalmente, ou apenas dá suspiros, considere parada cardíaca:

  • Ligue para o 192 ou mande alguém ligar. Coloque no viva-voz.
  • Deite a pessoa de costas em uma superfície firme.
  • Coloque a base de uma das mãos no centro do peito, com a outra por cima.
  • Com os braços esticados, comprima forte e rápido, em um ritmo de 100 a 120 compressões por minuto, deixando o peito voltar depois de cada uma. Em um adulto, a compressão é de cerca de 5 centímetros.
  • Não pare até a equipe chegar, a pessoa voltar a respirar ou você ficar sem condições físicas de continuar.

A massagem feita por um leigo, mesmo sem respiração boca a boca, pode salvar uma vida. O atendente do 192 orienta o ritmo pelo telefone. Em shoppings, aeroportos e outros locais públicos, se houver um desfibrilador automático por perto, peça que tragam. O aparelho dá instruções faladas.

Engasgo

Se a pessoa consegue tossir com força, falar ou chorar, incentive a tosse e não bata nas costas. Fique atento. Se ela não consegue falar, respirar nem tossir, ou faz o gesto de levar as mãos ao pescoço, é preciso agir.

Em adultos e crianças maiores: fique atrás da pessoa, passe os braços pela cintura dela, feche uma das mãos e coloque-a entre o umbigo e a parte de baixo do osso do peito. Com a outra mão por cima, puxe para dentro e para cima, com força, repetindo até o objeto sair. Essa é a manobra de Heimlich.

Em bebês de até um ano: apoie o bebê de bruços sobre o antebraço, com a cabeça um pouco mais baixa, e dê até cinco tapas firmes entre as omoplatas. Vire-o de barriga para cima e faça até cinco compressões no centro do peito, com dois dedos. Alterne as duas manobras e ligue para o 192.

Se a pessoa perder a consciência, deite-a no chão, peça ajuda e inicie as compressões no peito. Não enfie os dedos na boca às cegas para tentar retirar o objeto, pois ele pode ser empurrado para mais fundo.

Queimaduras

Coloque a área sob água corrente em temperatura ambiente, por 10 a 20 minutos. Retire anéis, pulseiras e roupas soltas da região, antes do inchaço. Cubra com um pano limpo, sem apertar.

Não use pasta de dente, manteiga, óleo, clara de ovo, pó de café nem gelo. Esses produtos pioram a lesão, aumentam o risco de infecção ou dificultam a avaliação. Não estoure as bolhas.

Procure atendimento se a queimadura for extensa, tiver bolhas grandes, for profunda, atingir rosto, mãos, pés, genitais ou articulações, ou se tiver sido provocada por eletricidade ou por produto químico. Crianças e idosos devem ser avaliados com menos hesitação. Em queimaduras químicas, lave por bastante tempo em água corrente.

Cortes e sangramentos

Lave as mãos, ou use luvas ou um saco plástico limpo como barreira. Para sangramentos:

  • Faça pressão direta sobre o ferimento com pano limpo ou gaze, sem soltar para ver se parou.
  • Se o pano encharcar, coloque outro por cima, sem tirar o primeiro.
  • Mantenha a pressão e, se não houver fratura, eleve o membro.

Pequenos cortes podem ser lavados com água e sabão e cobertos. Sangramento que não para com pressão, ferimento profundo, corte no rosto, mordida de animal, objeto cravado (que não deve ser retirado) ou sinais de infecção exigem atendimento. Confira também a vacina antitetânica no posto de saúde.

Para sangramento nasal, sente a pessoa com a cabeça levemente inclinada para a frente, nunca para trás, e aperte a parte macia do nariz por cerca de dez minutos. Se não parar, procure ajuda.

Desmaio

Deite a pessoa de costas e, se possível, eleve as pernas dela. Afrouxe roupas apertadas e deixe o ar circular. Não dê água ou comida enquanto ela não estiver bem acordada. Ligue para o 192 se a recuperação demorar, se ela tiver batido a cabeça, sentir dor no peito ou falta de ar, ou se estiver grávida, for idosa ou tiver doença cardíaca ou diabetes.

Convulsão

Afaste móveis e objetos, proteja a cabeça com uma roupa dobrada e anote o tempo. Não segure a pessoa nem coloque nada na boca dela. A língua não “enrola”. Quando os movimentos pararem, vire-a de lado e deixe que se recupere.

Ligue para o 192 se a crise durar mais de cinco minutos, se for a primeira, se houver outra em seguida, se a pessoa estiver grávida, machucada, ou se não acordar.

Dor no peito e sinais de AVC

Dor ou aperto no peito que pode irradiar para braço ou queixo, com suor frio, falta de ar ou enjoo, pede uma ligação imediata para o 192. Deixe a pessoa sentada e em repouso, e não dê remédios sem orientação do atendente.

Para o AVC, a própria sigla ajuda a lembrar:

  • Sorria: a boca fica torta?
  • Abrace: um dos braços cai ou fica fraco?
  • Música: a fala está enrolada ou estranha ao cantar ou repetir uma frase?
  • Urgente: ao notar qualquer um desses sinais, ligue para o 192.

Anote a hora em que os sintomas começaram. Os tratamentos dependem do tempo, e essa informação orienta a equipe.

Quedas e pancadas

Depois de uma queda forte, principalmente em idosos, ou de pancada na cabeça, não levante a pessoa de qualquer jeito. Se ela sente dor no pescoço ou nas costas, não consegue mexer braços ou pernas, ou está confusa, mantenha-a parada e ligue para o 192. Em fraturas, não tente recolocar o osso no lugar.

Vômitos repetidos, sonolência, confusão ou dor de cabeça que piora nas horas após a pancada indicam necessidade de atendimento.

Intoxicações e choque elétrico

Se alguém ingeriu remédio, produto de limpeza ou veneno, não provoque vômito e não dê leite nem outra substância. Guarde a embalagem para mostrar à equipe. Ligue para o 192 ou para o Disque-Intoxicação, no 0800 722 6001, que orienta a população sobre esses casos.

No choque elétrico, desligue primeiro o disjuntor. Sem isso, não encoste na pessoa. Depois, avalie a respiração e chame o 192.

O que ter em casa

Uma caixa simples, em local conhecido por todos e fora do alcance de crianças, ajuda muito. Inclua gaze, ataduras, esparadrapo, tesoura sem ponta, luvas descartáveis, soro fisiológico, um termômetro e os remédios de uso prescrito para a família.

Deixe na geladeira uma folha com contatos de emergência, doenças e alergias dos moradores. Em situações de pressa, ninguém lembra de tudo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui o atendimento de emergência nem um curso de primeiros socorros. Em caso de dúvida, ligue para o SAMU, no 192.