Vista aérea de uma praia cheia de guarda-sóis

Protetor solar: como escolher e usar do jeito certo

O erro mais comum com protetor solar não está na escolha do frasco, e sim na quantidade. O FPS estampado na embalagem é medido em laboratório com uma camada generosa de produto, bem mais grossa do que a maioria das pessoas usa. Na prática, quem espalha uma película fina pode ter uma proteção bem abaixo do número que comprou.

No Brasil, onde o sol é forte em boa parte do território e durante o ano inteiro, esse detalhe faz diferença. O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer. Fotoproteção também reduz o envelhecimento precoce da pele e as manchas, mas o motivo principal é proteger a saúde.

O que os raios fazem com a pele

Dois tipos de radiação ultravioleta interessam aqui:

  • UVB: é a principal causa das queimaduras solares e está ligada ao câncer de pele. É a responsável por aquela ardência depois de um dia na praia.
  • UVA: penetra mais fundo, atravessa vidros comuns e nuvens e está associada ao envelhecimento, às manchas e também aos danos que favorecem o câncer.

A radiação está presente mesmo sem sensação de calor. Um dia frio de inverno em São Joaquim pode ter sol forte, e a neblina clara da manhã no litoral não bloqueia o UV por completo. Por isso, o melhor indicador é o índice ultravioleta, divulgado em aplicativos de previsão do tempo, e não a temperatura.

Como ler o rótulo do protetor

FPS

O Fator de Proteção Solar mede principalmente a proteção contra UVB. Ele não indica quantas horas você pode ficar no sol, como muita gente acredita. Um cálculo ajuda a entender: quando aplicado na quantidade adequada, o FPS 30 filtra cerca de 97% da radiação UVB, e o FPS 50, cerca de 98%. A diferença entre eles é pequena no papel, mas números mais altos podem compensar parte da aplicação insuficiente.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda FPS de no mínimo 30 para a maioria das pessoas. Pele muito clara, quem tem histórico de câncer de pele ou quem passa longos períodos ao ar livre pode precisar de mais, e o dermatologista deve orientar.

Proteção UVA

Procure na embalagem a informação de proteção UVA. A regra da Anvisa exige que protetores tenham proteção UVA em proporção ao FPS declarado. A expressão “amplo espectro” indica que o produto cobre UVA e UVB.

Tipo de pele e textura

A melhor textura é a que você realmente vai passar todo dia. Algumas pistas:

  • Pele oleosa ou com acne: loções fluidas, géis ou produtos com toque seco, marcados como “oil free” ou “não comedogênico”.
  • Pele seca: cremes mais hidratantes.
  • Pele sensível: fórmulas sem perfume, e às vezes as de filtros minerais, que tendem a irritar menos.
  • Corpo: loções e sprays cobrem áreas grandes com mais facilidade. No spray, é preciso aplicar bastante e espalhar com a mão.
  • Peles negras e pardas: escolha produtos que não deixem resíduo esbranquiçado. Pele escura tem mais proteção natural, mas não é imune a queimaduras nem a câncer de pele.

Filtros minerais, químicos e com cor

Os filtros minerais (ou inorgânicos), como óxido de zinco e dióxido de titânio, formam uma barreira na pele. Os químicos (ou orgânicos) absorvem a radiação. Muitos produtos combinam as duas tecnologias, e ambas funcionam. Protetores com cor têm uma vantagem extra: os pigmentos ajudam a proteger da luz visível, útil para quem tem melasma.

Como aplicar

Quantidade é o ponto mais subestimado. Algumas referências práticas usadas por dermatologistas:

  • Rosto e pescoço: a regra dos dois dedos, com duas faixas de produto ao longo do indicador e do dedo médio.
  • Corpo de um adulto: uma quantidade que encheria a palma da mão em concha, para cobrir tudo o que está exposto em roupa de praia.

Para melhor resultado, siga estes passos:

  • Aplique antes de sair de casa, com alguns minutos de antecedência, para o produto se fixar.
  • Espalhe de maneira uniforme, inclusive nas áreas esquecidas: orelhas, nuca, parte de trás dos joelhos, peito dos pés, couro cabeludo em quem tem pouco cabelo, e as mãos.
  • Reaplique a cada duas horas sob exposição, e sempre depois de mergulhar ou suar muito, ou de secar com toalha.
  • Use protetor labial com filtro solar: os lábios também queimam.

Em um dia comum de escritório, a aplicação da manhã costuma bastar para quem fica longe de janelas e sai pouco. Já para quem passa o dia na rua, como carteiros, motoristas de aplicativo, vendedores e professores de educação física, a reaplicação é parte do trabalho. Se você adotou o hábito de caminhar ao ar livre, inclua o filtro na rotina antes de sair, junto com boné e tênis.

O protetor é uma parte da proteção

Nenhum filtro bloqueia toda a radiação. Ele deve fazer parte de um conjunto:

  • Procure sombra e evite exposição direta entre 10h e 16h, quando o UV costuma ser mais intenso.
  • Use chapéu de aba larga, óculos de sol com proteção UV e roupas de tecido mais fechado.
  • Não confie apenas no guarda-sol. A areia e a água refletem parte da radiação.
  • Nunca use bronzeamento artificial. As câmaras são proibidas pela Anvisa no Brasil para fins estéticos e aumentam o risco de câncer de pele.

Alguns cuidados valem para produtos em casa. Respeite a data de validade. Não deixe o frasco por horas no carro ou ao sol, pois o calor pode prejudicar a fórmula. Um frasco que mudou de cheiro, cor ou textura deve ser descartado.

Observe a sua pele

Faça uma inspeção mensal da pele, usando um espelho ou com a ajuda de alguém. Na hora de olhar pintas, a regra do ABCDE ajuda:

  • Assimetria: uma metade é diferente da outra.
  • Borda irregular.
  • Cor variada, com mais de um tom.
  • Diâmetro que aumenta.
  • Evolução: a pinta muda com o tempo, coça ou sangra.

Também merece atenção uma ferida que não cicatriza em poucas semanas. Nesses casos, procure um dermatologista ou a unidade básica de saúde. Queimaduras solares extensas, com bolhas, febre ou mal-estar, também pedem atendimento.

Perguntas frequentes

Maquiagem com FPS substitui o protetor?

Em geral, não. Para atingir o FPS declarado, seria necessário usar muito mais base do que o habitual. O ideal é aplicar o protetor primeiro e a maquiagem por cima.

Preciso de protetor em dia nublado?

Sim. As nuvens filtram apenas parte da radiação, e queimaduras em dias nublados acontecem com frequência, principalmente na praia ou na piscina.

Bebês podem usar protetor?

Bebês com menos de seis meses devem ficar longe do sol direto, com sombra e roupas leves, e o uso de filtros deve ser orientado pelo pediatra. Para crianças maiores, existem produtos específicos.

O protetor solar impede a produção de vitamina D?

Na vida real, o uso normal de protetor não costuma causar falta de vitamina D. Quem tiver dúvidas deve conversar com o médico, em vez de abrir mão da proteção ou tomar sol sem cuidado.

Dentro de casa ou no carro preciso passar?

Vidros comuns barram boa parte do UVB, mas deixam passar parte do UVA. Quem fica perto da janela ou dirige por longos períodos pode se beneficiar da proteção, especialmente no rosto, nos braços e nas mãos.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a orientação de um dermatologista.