
Após oito dias de greve, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) decidiu suspender a paralisação iniciada em 15 de outubro. A decisão foi anunciada na manhã dessa segunda-feira, 22, em uma reunião no Edifício Senado, sede da Petrobras, no Rio de Janeiro.
Segundo a FUP, o Conselho Deliberativo aprovou a aceitação da contraproposta feita pela Petrobras. Esta proposta será discutida em assembleias que ocorrerão a partir da noite de hoje, permitindo que os trabalhadores decidam sobre os próximos passos.
A greve trouxe resultados positivos para os petroleiros. Foram alcançados avanços em diversas áreas do Acordo Coletivo de Trabalho. Isso inclui o pagamento de um abono, aumento nos valores do vale-alimentação e vale-refeição, criação de um auxílio alimentação mensal, e a diminuição dos custos de transporte dos trabalhadores. Além disso, houve melhorias nas condições de trabalho em plataformas e unidades em manutenção, assim como um foco maior na saúde e segurança no trabalho.
A mobilização também trouxe progressos para a correção de desigualdades regionais, especialmente no Amazonas, e resultou na criação de um fórum permanente. Esse espaço servirá para discutir questões importantes como a transição energética justa e o fortalecimento da Petrobras e suas subsidiárias.
Entre os principais acordos estão a garantia de que não haverá punições para os participantes da greve, o pagamento de 50% dos dias não trabalhados e a possibilidade de compensação dos demais dias em um banco de horas. A Transpetro se comprometeu a formar um grupo de trabalho para abordar discrepâncias entre os trabalhadores das unidades de Coari e Urucu, no Amazonas.
As demandas iniciais dos petroleiros se concentraram em três eixos principais: uma distribuição mais justa da riqueza gerada, o fim dos Planos de Equacionamento dos Déficits da Petros, que afetam aposentados e pensionistas, e o reconhecimento de uma Petrobras pública, voltada para o desenvolvimento do país.
No dia anterior à suspensão da greve, a Petrobras apresentou alegações em sua proposta de acordo coletivo. A FUP considerou que a nova proposta trouxe melhorias em relação às demandas dos trabalhadores.
Ainda durante as negociações, a FUP e seus sindicatos solicitaram que a proposta fosse aplicada a todas as subsidiárias da Petrobras e que não houvesse descontos pelos dias parados. Também foi pedida a garantia de igualdade entre os trabalhadores do terminal de Coari e de Urucu e a hospedagem para aqueles que atuam em plataformas offshore. A federação ainda pediu à Petrobras uma carta-compromisso para resolver as questões relacionadas aos Planos de Equacionamento dos Déficits.
Na manhã da decisão, Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, e outros representantes estiveram no Edifício Senado, pressionando a empresa por respostas concretas.
A greve had impactado fortemente a operação da empresa, afetando nove refinarias, 16 terminais operacionais, quatro usinas termelétricas, duas usinas de biodiesel, dez instalações terrestres operacionais, três unidades de Segurança, Meio Ambiente e Saúde e 28 plataformas no mar.

