Ofensiva de Trump na América Latina: análise de especialista

Os Estados Unidos classificaram a Venezuela como um Estado terrorista, o que gerou uma série de críticas e preocupações. Além disso, houve uma intensificação de ataques a barcos petroleiros no Caribe, resultando em mais de 100 mortes. Essas ações ocorrem sem apresentação de provas sobre alegações de “narcoterrorismo”. O professor de relações internacionais da UFABC, Gilberto Maringoni, descreve essas movimentações como ações de imperialismo.

Maringoni destaca que a estratégia do ex-presidente Donald Trump não é clara. Ele acredita que Trump busca se apropriar do petróleo venezuelano e afirmar a influência dos Estados Unidos na América Latina. Segundo o professor, isso não afeta apenas a Venezuela, mas também países como Colômbia, Brasil e Argentina, em uma abordagem que remete à Doutrina Monroe. A nova estratégia de segurança nacional dos EUA também foi mencionada como uma forma de reafirmar o poder de Washington diante da crescente competição com a China.

A situação provocou uma aproximação inesperada entre setores da oposição moderada venezuelana e o governo de Nicolás Maduro. Por exemplo, Bernabé Gutiérrez, um deputado da Assembleia Nacional e secretário-geral do partido de oposição Ação Democrática, se manifestou contra as sanções dos Estados Unidos que bloqueiam os navios petroleiros. Maringoni observa que esse sentimento anti-imperialista está unindo a sociedade venezuelana em um momento de alta polarização.

Em resposta à escalada de tensões, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia fez uma declaração pedindo a normalização do diálogo entre os EUA e a Venezuela. O governo russo alerta que um ataque na América Latina pode trazer consequências imprevisíveis para o Ocidente.

Apesar do apoio de potências como Rússia e China à Venezuela, Maringoni acredita que não haverá guerra entre essas nações e os Estados Unidos. Segundo ele, tanto Moscou quanto Pequim estão adotando uma abordagem cautelosa e podem exercer pressão diplomática. A China, por exemplo, poderia até solicitar uma reunião no Conselho de Segurança da ONU para tratar da questão.

Esses acontecimentos revelam um panorama tenso nas relações internacionais, com implicações diretas para a Venezuela e para a dinâmica da América Latina.