
Na quinta-feira, 5 de outubro, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, realizou uma coletiva de imprensa em que detalhou as ações de emergência que o governo está implementando em resposta às crescentes tensões com os Estados Unidos.
Díaz-Canel destacou que, em face da crise atual, as principais autoridades do país estão revisando um plano para lidar com a grave escassez de combustíveis. Ele também comentou sobre as constantes acusações vindas de Washington e da mídia internacional, que falam sobre um suposto “colapso iminente” em Cuba. O presidente lembrou que o país já enfrentou, de forma resistente, as pressões da maior potência mundial ao longo de mais de sessenta anos. Ele considerou a teoria do colapso como parte de um discurso que os EUA usam para descrever a situação cubana, enfatizando que Cuba não é um “Estado falido”.
O presidente citou declarações do ex-presidente Donald Trump, que afirmou que a pressão sobre Cuba poderia se intensificar a ponto de levar a uma destruição total do país. Em resposta, Díaz-Canel reafirmou que Cuba é um Estado resiliente, que tem enfrentado muitas dificuldades devido ao bloqueio econômico imposto pelos EUA. Ele ressaltou que o povo cubano cresceu sob a sombra desse sufocamento econômico e que sempre lidou com escassez e desafios.
Diálogos com os EUA
Sobre a possibilidade de um diálogo entre Cuba e os Estados Unidos, o presidente afirmou que o país sempre se mostrou disposto a conversar, desde que haja respeito pela soberania cubana. Ele mencionou que essa postura é uma continuidade do legado de Fidel Castro e de Raúl Castro. Díaz-Canel também ressaltou o desejo de construir uma relação civilizada, que seria benéfica para os povos de ambos os países.
Medidas contra a agressão econômica
A coletiva de imprensa foi a primeira após os EUA intensificarem sua política de sanções econômicas contra Cuba. Uma ordem executiva, assinada recentemente, declarou uma “emergência nacional”, alegando que Cuba representa uma “ameaça extraordinária” à segurança dos EUA. Essa medida pode incluir tarifas contra países que fornecem petróleo a Cuba, afetando diretamente a capacidade da ilha de garantir sua energia. Cuba produz cerca de um terço do petróleo que consome, dependendo do restante de importações, o que torna a situação ainda mais crítica.
Díaz-Canel falou sobre a necessidade de desenvolver uma “resistência criativa” para enfrentar esses desafios. Ele afirmou que essa resistência está ligada à defesa das ideias nas quais Cuba acredita e mencionou a importância de unir esforços para superar os tempos difíceis. O presidente pediu a participação ativa do povo na busca por soluções.
Relação com a Venezuela
Em relação à Venezuela, o presidente destacou que a cooperação entre os dois países é baseada em laços de solidariedade e justiça social, e não em dependência. Ele reconheceu a complexidade da relação, informando que Cuba não recebe petróleo da Venezuela há quase um ano devido a bloqueios. A situação se agravou após ações dos EUA contra o governo venezuelano.
Díaz-Canel afirmou que a colaboração com a Venezuela depende da disposição de ambos os lados em continuar trabalhando juntos, enfatizando o compromisso de Cuba com a solidariedade e a cooperação internacional.
Defesa e mobilização popular
Frente à crescente agressividade dos EUA, o presidente ressaltou que o mundo deve resistir às tentativas de dominação e humilhação. Ele mencionou a importância de uma mobilização anti-hegemônica e criticar a imposição de paradigmas imperiais.
Díaz-Canel também manifestou preocupação com o sentimento da população, mas afirmou que existem mecanismos de participação popular nas decisões que vão afetar a crise. Ele falou da implementação de “dias nacionais de defesa,” onde o país está se preparando para possíveis agressões.
Transição energética
O presidente detalhou que Cuba está avançando em uma transição energética, priorizando fontes renováveis. A geração de energia solar, por exemplo, aumentou de 3% para 10% no último ano. Ele informou sobre a instalação de sistemas solares em residências rurais que não tinham eletricidade e a disponibilização desses sistemas para profissionais da saúde e educação.
Valorização da juventude
Díaz-Canel encerrou sua fala fazendo um apelo à juventude cubana, destacando seu papel histórico e seu compromisso com o futuro da nação. Ele se emocionou ao falar da importância das novas gerações, considerando-os essenciais para os projetos e valores que o país busca implementar, reafirmando a necessidade de cuidados com a juventude, que representa tanto o presente quanto o futuro de Cuba.

