
Em uma entrevista recente a uma emissora de rádio, o líder indígena equatoriano Leonidas Iza anunciou que a Confederação de Povos da Nacionalidade Kichwa do Equador, também conhecida como Ecuarunari, está preparando uma campanha para promover um referendo com o objetivo de revogar o mandato do presidente Daniel Noboa.
Iza afirmou que a proposta foi aprovada durante o último congresso da Ecuarunari, que é afiliada à Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador, a Conaie, que representa a principal organização indígena do país. Segundo o líder, muitos equatorianos que votaram em Noboa nas eleições do ano passado agora expressam descontentamento com sua gestão.
Durante a entrevista, Iza destacou que a campanha terá o apoio de várias organizações indígenas e movimentos sociais, incluindo a Confederação Nacional de Organizações Camponesas, Indígenas e Negras (Fenocin) e o Conselho dos Povos e Organizações Indígenas Evangélicas do Equador (Feine). Ele ressaltou que um número significativo de sindicatos também está se unindo à causa, demonstrando insatisfação com a administração do presidente.
Além de Leonidas Iza, Verónica Silva, ex-candidata a vice-presidente, também se destacou como uma das vozes principais na campanha. Silva, que concorreu pelo Partido Socialista do Equador (PSE), criticou a gestão de Noboa, alegando que ele permitiu a infiltração do crime organizado nas instituições do Estado desde que assumiu o cargo, em novembro de 2023. Ela pediu uma renúncia ou destituição urgente do presidente, afirmando que a situação atual não se resume a simples erros de administração, mas a uma “captura do Estado”.
Silva argumentou que o país está sendo prejudicado pela falta de ação do governo, com Noboa supostamente ausente em suas funções e permitindo que o crime organizado influencie setores do sistema judiciário e da segurança.
O processo para convocar um referendo de revogação no Equador pode ser iniciado por qualquer cidadão ou agrupamento uma vez que se complete o primeiro ano de mandato da autoridade em questão. Para Noboa, essa data será em 24 de maio de 2026. O pedido formal deve ser protocolado no Conselho Nacional Eleitoral (CNE), incluindo um relatório que justifique as razões para a revogação.
Após a formalização do pedido, o CNE terá um prazo de 15 dias para avaliar a solicitação e decidir se permitirá a coleta de assinaturas. Se aprovado, os solicitantes terão 180 dias para reunir assinaturas de pelo menos 15% da população. Se conseguir essa quantidade, o CNE convocará um referendo, no qual para a destituição do presidente será necessária a maioria simples dos votos válidos.
Iza afirmou que a campanha iniciará com encontros para estruturar uma rede de movimentos e organizações que apoiarão a convocação do referendo. O objetivo é também elaborar o relatório sobre as supostas violações constitucionais cometidas por Noboa, que deverá ser apresentado até maio do ano que vem.

