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Desmontar o crime organizado

A Sua Palavra

A Sua Palavra 30/07/2010 11:51:04 | Por Da Redação / Notícia da Manhã

            Depois de oito meses de um trabalho inteligente, a Polícia Militar e a Promotoria Pública do Paraná colocaram em prática, na última quarta-feira, a “Operação Vale do Ivaí”. Levando no bolso 102 mandados de prisão e 52 de busca e apreensão, policiais militares e civis percorreram 12 municípios, desbaratando esquemas de tráfico de drogas, roubos e outros crimes. As investigações levantaram o modus operandi dos criminosos e, com todas as informações, as equipes partiram para a prisão dos envolvidos e a desmontagem dos esquemas. Trabalhos dessa natureza são importantes e dignos de serem imitados, pois livram a sociedade do jugo do crime organizado. As autoridades deveriam criar condições para que as polícias e o Ministério Público  mantenham essa atividade como rotina.

            Lamentavelmente, há muito anos, temos visto o crime organizado tomar conta do território brasileiro, nas suas mais diferentes formas de atuação. Inicialmente foi o tolerado jogo do bicho que, se legalizado, provavelmente trouxesse menos problemas do que existindo debaixo dos panos da conivência e das vistas grossas de quem deveria vê-lo. Em paralelo ao bicho, surgiu o tráfico de drogas, que acabou tomando conta dos antigos chalés clandestinos, transformando-os, em “bocas”. Para gerenciar toda essa ilegalidade, apareceram as quadrilhas que, em momentos de fraqueza social, chegaram a ser até glamurizadas e, por isso, passaram a dominar escolas de samba, clubes de futebol e outras atividades sócio-desportivas.

            Na ausência do Estado omisso, o bicheiro, o traficante e o chefe de facção criminosa passaram a socorrer o povo em suas necessidades básicas e, com isso, ganharam “autoridade”. Tanto que dominam setores da periferia de praticamente todas as cidades. Como parte dos contraventores, traficantes e outros criminosos acaba atrás das grades como reflexo da atuação das polícias, o crime organizado também montou as facções criminosas que dominam o sistema carcerário e, em alguns momentos, fizeram vergar a espinha das autoridades, que tinham o dever de combatê-las mas foram obrigadas a com elas negociar. E, nessa esteira do caos ainda se contabiliza as milícias que agem paramilitarmente no Rio e em outras localidades, cobrando propina da população, mediante a promessa de oferecer a segurança que é responsabilidade não cumprida pelo Estado.

            O trabalho do norte do Paraná tem que ser repetido com freqüência e oferecer subsídios para sua realização em todos os quadrantes do país. O Estado tem de proporcionar meios para que o seu braço de segurança pública – Polícia, Ministério Público e Justiça – possam agir eficientemente e desmontar a indústria do crime. Esta é uma das finalidades do imposto arrecadado.

            Os paranaenses mostraram que, querendo é possível realizar. O Estado e os governantes têm a obrigação de criar condições para o combate eficaz ao crime organizado em todo o território nacional. Se isso for bem feito, com certeza, reduziremos o número de assassinatos, seqüestros, chacinas e assaltos e até poderemos, um dia, retornar aos românticos tempos em que criminoso era o batedor de carteiras e o ladrão da gaveta (de dinheiro) do boteco... Vamos trabalhar para isso...

 

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br                                                                                  

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