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Algumas “datas comemorativas” geram, ironicamente, sempre uma mesma questão: temos o que comemorar? Essa pergunta surge, por exemplo, no Dia Internacional da Mulher e no Dia da Consciência Negra, celebrado na última semana – felizmente sem feriado em Catanduva.
Essas datas simbolizam lutas de uma classe, gênero ou de um grupo, e devem sim ser motivo de comemoração pelos avanços conseguidos.
Mas, a meu ver, só teremos mesmo o que comemorar quando essas mesmas datas deixarem de existir. Não por termos deixado de valorizar tais conquistas, mas sim porque teremos consciência de que determinadas coisas sempre deveriam ter existido.
O futuro ideal será aquele em que os iguais serão iguais, com homens e mulheres tendo os mesmos direitos e deveres, no qual não mais existirão episódios como o de Geisy Arruda e em que não precisaremos criar datas para refletir sobre nossas próprias desigualdades.
Assim não comemoraremos o óbvio e não teremos datas para reforçar injustiças. Talvez, no máximo, teremos uma data única para relembrar nossos avanços e comemorar a queda dos muros étnicos, sexuais, sociais...
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