Isso tudo bem na semana em que uma dura crítica foi publicada pela Folha de S.Paulo, tendo como alvo os grandes festivais de teatro do país, incluindo o FIT, festival internacional da vizinha São José do Rio Preto. A inovação, segundo a Folha, não existe mais nesses eventos.
Questionamento, engajamento, inovação e crítica estariam sendo substituídos pela mesmice, ‘reprise’, e pela aposta em belas peças que atraiam grandes públicos, como forma de garantir a prestação de contas aos patrocinadores e o prestígio do festival frente à mídia.
O festival de Catanduva, com força apenas no Estado, de certa forma, fica à margem desse amplo debate. Isso porque os “grandes espetáculos”, que passaram pelos também grandes festivais nacionais e internacionais, reforçando a mesmice cultural, não passaram por aqui.
Somente este fato já possibilita que grupos menores e que desenvolvem trabalhos fortes, alternativos, questionadores, ainda que menos expressivos, tenham Catanduva como palco.
A curadoria do Festec, sabedora do potencial do evento e tendo em vista suas limitações, também pôde optar pela variedade, como forma de agradar o verdadeiro fã do teatro, que acompanhou – assim como eu – diversas peças, senão todas, e até o dia-a-dia do Festec.
A variedade de tendências, estilos e estéticas ficou visível. Em alguns casos, a crítica social também veio à tona. Espetáculos de muita qualidade, alguns com grandiosa estrutura, sendo todos gratuitos para a população. O Festec levou a cultura a sério, e ao pé da letra.