Um dia, fiz uma aposta com uma amiga, que tentava parar de fumar. Ela não parou.
Eu jamais cobrei o valor apostado. Até porque, para ela, a derrota era dupla. E a derrota na aposta pouco importava. O vício era o grande ganhador naquela história toda.
Como bom articulista, na época, eu escrevi sobre isso.
Hoje, quando o debate sobre a nova lei esquenta na imprensa e nas rodas de conversa, o assunto me vem à mente. E vejo que as pessoas mal percebem que, enquanto discutem a lei e seus trechos nebulosos, deixam de pensar na saúde e no quanto a proibição será benéfica.
Isso pode? Aquilo não pode? Vou ter que entrar e sair da empresa mil vezes só pra fumar? Questões surgem aos montes. E um assunto sério, como esse, acaba se tornando ridículo.
Na TV, a equipe de uma emissora acompanhou um fumante em uma jornada diária de trabalho. Foram 13 cigarros em oito horas. E um elogio à nova lei: “Antes eram 20 cigarros”.
Decidida, minha amiga poderia ter acendido um último cigarro, ter desafiado a si mesma, e ainda ter levado a aposta. Para ela, talvez, a nova lei seria apenas mais uma lei, sem influência direta em sua vida. E o mais importante: sua saúde seria a grande vitoriosa.
Como bom articulista, paro aqui, sigo nas ondas do rádio, e deixo a reflexão aos leitores...
Guilherme Gandini é jornalista e assessor de Comunicação da Prefeitura de Catanduva