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As pessoas estão com medo. É fácil sentir. Sem discutir sobre o que está certo e errado, ou apontar culpados, vamos apenas analisar os fatos. E isso, o medo, é um fato.
Em um dicionário qualquer: medo é um sentimento de inquietação perante um eventual perigo. Hoje, a Influenza A H1N1, mais popular Gripe Suína, é a grande vilã e causadora de tanto medo. Ontem, a pedofilia. Antes, a violência urbana. Antes ainda, outro tema qualquer.
É assim que funciona. Num blog da internet, há outra definição de medo: “Desde os 7 anos que abria sorrateiramente o quarto do meu pai para me certificar que respirava”. Quer medo maior?
Em 15 de maio de 2006, escrevi na internet sobre os atentados do PCC. Tente se lembrar daquele episódio, amigo leitor, pois eu jamais esqueci o medo que vi no olhar das pessoas.
Dia 15 de maio de 2006. Em um breve caminhar pelas ruas escuras, próximo das oito horas da noite, senti como se, a qualquer momento, uma bomba fosse cair sobre a cidade. Cadê todo mundo? Todos estavam escondidos. Amedrontados em suas próprias casas.
A pedido da polícia, naquela noite, os estabelecimentos fecharam às 21 horas. Nem mesmo os ônibus circulares seguiriam sua normalidade. Polícia versus bandidos. Rebeliões em penitenciárias. Ônibus incendiados, delegacias e prédios metralhados.
Entrei rapidamente em um supermercado antes que fechasse. O olhar ao relógio era constante entre os funcionários do lugar. (...) Ao esbarrar em uma cesta de pães e derrubá-la ao chão, uma senhora exclamou, espontaneamente: “nossa, vão pensar que sou terrorista”.
Lembrou daquilo tudo? Naquela ocasião, andando sozinho pelas ruas bauruenses, vi o suficiente para entender que o medo dos cidadãos não era exagero ou sensacionalismo. Todos estavam, realmente, impressionados com tudo aquilo. Senti-me habitando um país em guerra.
Hoje, quem trava a guerra são os médicos e cientistas. Dúvida, inquietação: a população está afobada e receosa com tanto alarde. A gripe comum mata muito mais, dizem as estatísticas. Mas as pessoas não estão “nem aí” para as estatísticas. Elas, simplesmente, têm medo.
Por Guilherme Gandini é jornalista e assessor de comunicação da Prefeitura
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